Alex Vallauri e o inicio do graffiti no Brasil

Publicado em terça-feira, 30 de junho de 2009, 17:11.
Categorias: Graffiti, Stencil

Alex Vallauri Pioneiro do graffiti no brasil, sua morte em 27 de março virou Dia do Graffiti

Sem d√ļvida, Alex Vallauri (1949-1987) √© considerado um dos maiores percursores da Arte Urbana no Brasil!

Grande utilizador de stencil e da rua como um dos principais suportes para o seu trabalho!

Alex veio para o Brasil (cidade litor√Ęnea de Santos ‚Äď onde treinou a t√©cnica da gravura retratando as pessoas no porto de Santos ‚Äď e mais tarde para a capital paulista) com a fam√≠lia no ano de 1965. Formado em Comunica√ß√£o Visual pela Funda√ß√£o Armando √Ālvares Penteado (institui√ß√£o em que alguns anos mais tarde ministrou desenho). Em 1975 foi se especializar em Artes Gr√°ficas no Litho Art Center na cidade de Estocolmo, na Su√©cia.Retornando ao Brasil em 1977, deu continuidade aos grafites em espa√ßos p√ļblicos, desta vez nos muros de S√£o Paulo. Ao mesmo tempo estudou novas maneiras de aplica√ß√Ķes de gravura, como a xerografia.

Pioneiro na arte do graffiti no Brasil, Alex usou outros suportes além dos muros urbanos; estampou camisetas, bottons e adesivos. Para ele, o graffiti é a forma de comunicação que mais se aproxima do seu ideário de arte para todos.

Seu interesse por objetos kitsch fez com que, em meados dos anos 1970, passasse a fotografar painéis de azulejos, pintados nos anos 1950 e colados nas paredes de restaurantes de São Paulo. Seus registros fotográficos resultaram no vídeo Arte para Todos, mostrado na Bienal Internacional de São Paulo em 1977.

Para outras documenta√ß√Ķes envolvendo a decora√ß√£o kitsch passou a observar e registrar embrulhos de papel de confeitarias, padarias e outros tipos de com√©rcios. Iniciou uma cole√ß√£o de carimbos de uma f√°brica com desenhos da d√©cada de 1950. Totalizando uma colet√Ęnea de 400 carimbos, Vallauri comp√īs suas obras utilizando esses carimbos em outras novas t√©cnicas experimentadas por ele.

As imagens apresentadas em seus trabalhos eram de simples e r√°pido entendimento, pois ele acreditava que uma vez expostas em meio ao caos da cidade, as imagens deveriam ser de imediata compreens√£o.

No final dos anos 1970, o graffiti de uma bota preta, de salto fino e cano longo, foi um dos trabalhos do artista ‚Äď produzido e inserido na paisagem urbana ‚Äď no anonimato. Na mesma √©poca, enviou para artistas e amigos uma seq√ľ√™ncia de postais manufaturados que consistiam em c√≥pias de cart√Ķes postais, contendo edif√≠cios hist√≥ricos da cidade, com a interven√ß√£o do carimbo da bota preta sobreposto aos arranha-c√©us e com frases sobre a invas√£o da bota na cidade.

Apropriou-se também de imagens das histórias em quadrinhos e da história das artes.

Entre 1982 e 1983 foi para Nova Iorque para estudar artes gráficas no Pratt Institute. Voltando ao Brasil, passa a dar aulas na FAAP. Participou da 18ª Bienal de São Paulo, em 1985, com uma instalação, e seu trabalho mereceu retrospectiva no Museu da Imagem e do Som em 1998. Morreu no dia 27 de março de 1987, desde então este dia é conhecido como Dia do Graffiti no Brasil.

O v√≠deo a seguir mostra trechos do momento de sua vida em que estava realizando o trabalho de “A Rainha do Frango Assado”, que foi tamb√©m tema da instala√ß√£o da 18¬™ Bienal Internacional de S√£o Paulo(1985). Reparem no √ļltimo recado que ele deixa!

“…Alex Vallauri eu nos conhecemos no in√≠cio da d√©cada de 1980 quando ele estava vivo e morava em Nova York seu est√ļdio dava vista para Tompkins Square Park.
Alex era um homem humilde, e certamente não é um tipo de auto-promoção.
Quando ele saiu de NYC para visitar fam√≠lia dele em S√£o Paulo, ele n√£o estava se sentindo bem, e atrav√©s da nossa l√≠ngua barreira eu tentei explicar que ele poda estar apresentando sintomas da misteriosa nova doen√ßa ‘gay’, o HIV.
Com seu sintomas atribu√≠dos √† inala√ß√£o dos vapores de tintas spray, Alex se tornou progressivamente doente, e escrevia cartas para mim descrevendo sua vida de volta no Brasil, e como o seus ‘tratamentos m√©dicos’ foram indo. A sua √ļltima carta, escrita por ele e por um amigo, porque sua vis√£o foi afetada, foi datada de 27 de dezembro de 2006. Nela, ele escreveu que ele estava esperando para ser coima em seis meses. Foi exatamente seis meses mais tarde, em seu anivers√°rio, 27 de mar√ßo, que ele faleceu.
Hoje 27 mar é um Dia Nacional de Graffiti Arte no Brasil. A morte por HIV de Alex foi o catalisador que permitiu que houvesse discussão aberta no Brasil, assim como o Rock Hudson nos EUA.
Eu não tinha entendido que Alex foi considerado importante na transformação da rua vandalismo em uma forma artística superior, e que sua arte foi avaliado pelo críticos de arte.
Foi cerca de 15 anos ap√≥s a sua morte que durante a conversa na Internet com um estudante de belas artes de S√£o Paulo, eu perguntei: “Voc√™ j√° ouviu falar de um artista chamado Alex Vallauri?” Ele respondeu, “Voc√™ est√° brincando, certo? Isso seria como me perguntando se voc√™ nunca ouviu falar de Andy Warhol!”…”

Estes s√£o relatos de Braian Halphman, que foi amigo de Alex.


Tags:

, , , , , , ,

16 coment√°rios para “Alex Vallauri e o inicio do graffiti no Brasil”

  1. jeisy disse:

    olha gostei mt mas queria saber sobre o trabalho que deve ter do grafite ms msm assim brigado…bjsssss

  2. janaina disse:

    Eu queria muito aprender a grafitar,eu acho muito bonito.
    Gostei muito
    beijosss

  3. pedro disse:

    e eu numa reuniao familiar, descubro que dois quadros que tem na minha av√≥ sao dele, e que um tio meu mais velho, falecido que tambem morreu de hiv…ele era o companheiro do meu tio

Deixe um coment√°rio

 Blog
 Graffiti Shop
Canetas e marcadores na SubsoloArt Latas de spray na SubsoloArt!
 Envie seu material
Envie seu material! Fotos, notícias, links, dicas, curiosidades, novidades... Etc.
 Facebook