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Entrevista com o grafiteiro Gueto de São Paulo

Postado segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012, 10:18.

Graffiti de Gueto em Valencia na Espanha

Quem é você e daonde vem?
GUETO, São Paulo – SP.
Turmas:
PV (Puro Vandalismo/ Poluição Visual)
L163 (Referência à um artigo do código penal brasileiro)
EM (Escrita Mambembe)
ADEP’S (Adicción De Pintar *Sudamerica), essa com membros em alguns países da América do Sul.

Desde que ano você assina na rua e como foi o inicio de tudo, o que despertou seu interesse pelo graffiti?
Iniciei no graffiti no ano de 1998 com outro nome(“Rnb”, depois “Art100Limit´s”) até um amigo (Cub) ter a ideia do nome “Gueto” e me convidar pra fazer parte, como uma “crew”…Até chegamos a colocar mais gente pra fazer, mas no fim éramos sempre nós 2 até meados de 2000, quando ele deu uma estagnada. De fato a parceria nunca acabou, mas como me mantive pintando e sempre com o mesmo nome, acabei “herdando” Gueto como apelido…mas pra mim “Gueto” sempre será “RNB+Cub”, pois muito do que aprendi sobre graffiti deve-se à esse meu amigo.
O que me despertou pro graffiti foi ver muita coisa no bairro em que morava, pois era uma região onde tinha bastante gente que pintava, ainda mais para quela época. Eu gostava e já fazia um pouco de pichação bem antes de conhecer o graffiti, mas quando conheci foi como se algo me completasse, pois desde pequeno sempre desenhei e o graffiti foi a junção das coisas pra mim naquele momento.
Uma cena que marcou muito foi em 97 quando vi o Vicio(Boleta) e o Powers(Neg) fazendo um throw up, sendo abordados pela polícia e poucos minutos depois voltando pra terminar. Foi o primeiro contato real que tive com o graffiti, e desde então passei a gostar das tais “letras gordinhas” e decidi que era aquilo que queria fazer.

Que picos você mais gosta de pegar e, o que mais gosta de fazer na rua?
Não tenho nenhum foco específico. Na rua, pinto o que eu julgar legal pro momento e pro meu graffiti, mas geralmente gosto um pouco mais de parede pelo fato de poder pintar de latex, que eu considero a textura bem mais legal que a do spray. E bem típica do Brasil…do princípio da cena aqui.

Graffiti de Gueto no Metro de Paris, França

Conte-nos um pouco sobre os rolês na linha, você é um dos grafiteiros que hoje em dia ainda dá seus rolês, descreva um pouco sobre a L163 e seu amor pelos trens e metrôs mundo afora….
É algo paralelo ao que faço na rua, mas uma atmosfera completamente diferente…somente por viver e compartir entre amigos aquele momento, já que vai apagar e ninguém vai ver. Considero minha turma como uma segunda família, com muitas alegrias e também alguns problemas, como toda e qualquer família tem.
As viagens é uma forma de não se limitar apenas à sua cidade. Como um cidadão do mundo busco expandir sempre e além disso estar conhecendo outros lugares e culturas, seja no Brasil ou fora dele e isso acaba refletindo na minha percepção geral sobre o graffiti, já que cada viagem e cada pessoa que conhecemos é uma visão e um aprendizado diferente.

Como é o role, e como na sua opinião se encontra este tipo de rolê no brasil e no resto do mundo…?
Considero o rolê como um jogo de xadrez. É tático, difícil…vacilou, xeque-mate! No Brasil, especialmente em São Paulo não é nada fácil, pelo contrário, está muito arriscado e a cada mês a gente ouve história de que alguém foi pego ou que correu de tiros na linha. De resto, não tem como generalizar, há cidades/países que você pode levar até seu avô de muletas pra pintar e outros que são tão difíceis quanto ou até mais que aqui.

O que um bomb representa para você, e para o universo do graffiti como um todo?
Representa o próprio graffiti em sua essência.

O que lhe é mais satisfatório em todo o processo de desenvolvimento de seus trabalhos?
Depende muito do que vou fazer…o planejamento é uma parte bem interessante, mas nada se compara ao momento em que se está pintando e transmitindo através da tinta seu estado de espírito no momento.

Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos roles.
Me identifico com quem de alguma forma pense igual à mim ou tenha me influenciado em algo na minha forma de pensar o graffiti. Enor, Nev, Stile, Finok, Dion, Kaur, Koyo, Peter Michalsky(Ale), Ayslap e Lavoe(Chi), entre alguns outros.
Em especial, cito 3 nomes:
Herbert Baglione, com que aprendi a nunca me acomodar e estar sempre exigindo mais de mim mesmo.
OsGemeos, por independente de status, olharem para os outros sempre de igual pra igual e nunca de cima pra baixo. A humildade é fundamental e os exemplos vem de cima, dos mais experientes.
ETROM (Tic), um grande sábio que foi um verdadeiro mestre pra mim em algumas coisas dentro do graffiti, principalmente ao me motivar a começar a fazer rolê na linha, contando sobre suas histórias e aventuras.

Como você conseguiu distinguir sua vida profissional, afetiva, etc, com a vida que a arte da rua te exige?
Busco dividir bem e ser intenso em tudo que faço, variando o foco de acordo com os interesses do momento.

O que você acha que um bom artista de rua precisa ter, para ser bem sucedido no que faz?
Além de talento e vocação? Dedicação, empenho, foco e buscar estudar e entender o que está fazendo.

Desde que você começou, até agora, o que mais mudou e o que continua na arte de rua?
Mudou muita coisa, difícil é saber o que prevalece. Aqui no Brasil, embora tenhamos alguns ótimos writers/artistas cada vez mais se perde a identidade. Basta olhar os graffitis dos anos 90 e os de hoje. Com muito menos informação e qualidade de material éramos muito mais criativos e originais. A “globalização” do graffiti através da internet sem dúvidas é a principal culpada dessa perda de identidade. Parece que se preocupam primeiro em fazer qualquer coisa pra poder aparecer rápido e depois, talvez buscar evoluir. Porém acho natural…tudo que cresce muito acaba sofrendo com isso, em qualquer setor da sociedade.
Além de tudo isso o graffiti acabou deixando de ser apenas um hobby pra ser também usado por alguns como um meio de através da técnica utilizada, desenvolver projetos paralelos e para outros usarem a nomenclatura do graffiti se aproveitando da aceitação da sociedade(o que não costuma ocorrer em outros países) e do “boom” do graffiti aqui para apenas ganhar dinheiro. Isso faz com que alguns novos escritores tenham a visão distorcida sobre o que é realmente graffiti e acabem entrando pra esse mundo tendo como objetivo fazer trabalhos e expôr em galeria e não do principal, que é pintar na rua.

Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
Sem nolstalgia alguma, curti mais entre 1998 e 2003, época em que o nosso “ibope” e principalmente nossos amigos eram feitos somente na rua.

Alguma vez foi surpriendido e chegou a ter que assinar b.o?
Já sim…faz parte do jogo.

O que o graffiti já te deu? E o que ele já te tirou?
Bom, o graffiti me proporcionou momentos únicos e inesquecíveis, me fez olhar pro mundo, me deu e me dá muita satisfação…e alguns bons colegas e amigos.
Já me tirou o sono…(rs),já perdi namorada, já respondi processo, já tomei sustos, corri da polícia, de tiros, já apanhei da polícia, de marmanjo, já foi roubado no nordeste, já sofri acidente quase fatal caindo de altura, ficando internado e tendo múltiplas fraturas pelo corpo, entre outras coisas, mas o saldo final de tudo isso ainda é positivo por incrível que pareça.

Qual o pior erro para um escritor de graffiti?
Se preocupar em agradar o outro ao invés de si próprio.

Qual seu objetivo dentro do graffiti?
Meu objetivo é estar sempre motivado e tendo amanhã sempre mais vontade de fazê-lo do que tenho hoje. Nada além disso…O resto é consequência natural…

O que você diria para os que estão começando agora?
Use essa ferramenta poderosa chamada internet de forma inteligente, use pra buscar conhecimento, estudar sobre a história do graffiti e não apenas pra se auto afirmar postando milhões de fotos semanalmente. Graffiti foi, é e sempre será na rua.

Deixe um recado pra quem estiver lendo sua entrevista, se identificando ou não com a sua arte…
Obrigado por terem dedicado um tempinho do seu dia para ler sobre o que tenho a dizer a respeito dessa forma de expressão. Só friso que falei sobre graffiti de modo geral sob minha ótica e não como verdade absoluta.
Graffiti 4fun, 4life!!
Um grande abraço à todos.

Gueto*
Família Santos FC.

Veja mais em: Blog Gueto / Flickr Gueto

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Renachong e Rato na Brisa – Aos Grafiteiros

Postado quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012, 21:51.

Música “Aos Grafiteiros” de Renachong e Rato na Brisa. Muito boa, fala e diz tudo a respeito da cena! Escute e faça o download acima.

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Random Takes – Graffiti de Daos e amigos

Postado quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012, 07:00.

Graffiti de Daos em outdoor em Parque del este - Caracas

Graffiti de Daos em outdoor Caracas, Venezuela 2007

Produção de graffiti de Daos em Madrid

Tag de fatcap de Daos em Madri, Espanha

Produção de graffiti de Daos

Graffiti de Daos em caminhão

Produção de graffiti de Daos

Graffiti em trem de passageiro de Daos, em Milão, Itália 2009

Wholecar do grafiteiro Daos em Madrid, España 2008

Daos é um grafiteiro de Madri, na Espanha, ele chegou a participar do filme de graffiti “Madrid 24/7″ com algumas ações nos subways da cidade. Já viajou para pintar em diversos locais inclusive aqui na américa latina, em países como Argentina e Venezuela.

No vídeo acima ações de Daos, Rive, Dagor e Steal no ano de 2009 em Madri.

Acima ações de Dagor, Daos, Shel, e ALC Crew, da argentina em Buenos Aires, ano de 2010

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Filme de graffiti “Take By a Vandal”, Trailer 2

Postado sexta-feira, 27 de janeiro de 2012, 23:12.

Este é o segundo trailer do filme de graffiti “Taken By a Vandal” que será lançado no dia 15 de fevereiro de 2012 e pelo que me parece é o primeiro filme de graffiti com a tecnologia 3D, para ser visto em computadores e televisores com suporte.

O filme, com 140 minutos de graffiti em 3D, conta com dezoito grafiteiros muito reconhecidos e respeitados da Alemanha, são eles: Agit, Becky & Stace, Creme, Debil, Faxr, Fluid, Geier, Krek, Limp.h, Metal, Most, Nice, Nyo, Samsn, Syro, Taps, Truth e Zay.

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