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Entrevista com a grafiteira Raquel Bolinho

Postado segunda-feira, 16 de abril de 2012, 00:01.

Qual sua assinatura, idade, cidade e estado de origem?
Meu nome é Raquel, Tenho 26 anos, assino Bolinhoe sou de Itabira (MG), mas moro atualmente em Belo Horizonte (MG).

Desde que ano você assina na rua? conte-nos um pouco sobre o inicio de tudo, quais foram os motivos que a levaram a buscar o graffiti?
Em 2009, eu comecei a namorar o More, ele pintava KC há alguns anos e eu sempre saía pra pintar com ele. No começo de namoro, as namoradass são bem legais, então, nessa época sobrava pra mim o serviço sujo de passar o látex. Até que um dia comecei a perceber que eu gostava demais de pintar e estar na rua e surgiu a necessidade de fazer algo próprio, original. Como sou maníaca com comida logo pensei em vários tipos de alimentos, e fiz vários esboços até chegar ao bolinho.

O que você mais gosta de fazer na rua?
Eu gosto de pintar lugares bem sujos, bem feios, abandonados. Primeiro porque eu não gosto de pedir pra pintar, segundo, porque eu acho que o resultado final fica bem melhor em lugares assim. Eu não curto muito fazer painéis, gosto de pintar mais rápido, sem fazer fundo… e esses lugares, já criam um cenário natural pro graffiti. Acho que fica louco também o contraste, de um personagem bem colorido e com um cara de inofensivo em um lugar bem tosco, podrão.

Como você vê a cena de Belo Horizonte, conte um pouco para seus amigos do outro extremo do Brasil?
Acho a cena aqui um pouco parada, mas tem melhorado… tem uma galera nova pintando bastante. Acho que a repressão policial aqui em BH é bem maior que em outros lugares e isso dá uma desanimada no pessoal. Mas tem muita gente boa que pinta aqui e a qualidade do graffiti aqui é muito boa, tem muita gente famosa e competente que saiu daqui.

Como você descreve seu estilo, e a evolução de seu trabalho, ao longo dos anos?
Descrever meu estilo é complicado. Eu quando vou criar alguma coisa não faço pensando em seguir um estilo específico, mas pensando em fazer algo que me agrade. Acho tenho uma influência forte do pop art. Eu curto fazer Bolinhos que remetem às coisas da cultura popular ou do nosso cotidiano, deixando o graffiti bem próximo das pessoas, independente da idade, do sexo, da classe social. Eu gosto de usar cores bem fortes e chapadas, com um traço grosso, acho que isso cria um visual legal e até um pouco mais agressivo. Meus bolinhos mudaram bastante, mas foram mudanças em virtude da minha capacidade de dominar o spray. Desde que comecei eu queria fazer um monte de coisas, mas acabava meio limitada por não ter muita prática. Assim, comecei fazendo tudo de uma forma mais simples até que me sentisse segura pra ir inovando aos poucos.

Na sua opinião, o que lhe representa o graffiti?
Desde que eu comecei a pintar o graffiti mudou minha vida. Ele foi muito importante em inúmeros aspectos… quando comecei a pintar eu estava muito desanimada com a vida e ele preencheu um buraco enorme, me mostrou que eu era uma pessoas capaz em vários sentidos. Além disso, foi por causa do graffiti que eu comecei uma segunda faculdade e acabei mudando o rumo profissional da minha vida. Hoje em dia tudo que faço gira em torno do graffiti e se eu pudesse eu queria viver só de pintar!

Para você, o que é mais satisfatório em todo o processo de desenvolvimento de seus trabalhos?
Não sou muito de pensar no graffiti antes e fazer rascunhos, normalmente eu chego na hora e tento adaptar meu desenho ao espaço e às cores de tinta q eu tiver. Eu normalmente não perco tempo nesse processo de criação, então o que me dá mais prazer é ver o graffiti pronto e ter a sensação de mais um lugar conquistado!

Trilha sonora inspiradora?
Qualquer musica do Promoe combina muito com graffiti. Acho que toda música te remete a alguma coisa e quando eu os ouço a imagem que vem à minha cabeça é de um sábado, com muito sol e muita tinta!

Filme inspirador?
Difícil escolher só um! Eu amo filmes, de todos os tipos, mas eu piro mesmo nos filmes de ganster, tipo: Goodfellas, Os infiltrados, Scarface; principalmente se tiver uma história real. Mas se for pra escolher o mais inspirador pra mim, com certeza, foi o Warriors. Eu gosto muito dessa ideia dele de gangues, com uma ideologia, uma identidade e até uma aparência própria, ocupando a cidade e se manifestando contra a polícia, se impondo de alguma forma, deixando sua marca. Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos roles.Gosto muito do GRI7O, Faif!, Dabs Myla, Burning Candy Crew, Aryz, Katsu, Ack, Presto, Boleta, Zeh Palito, Ise, Xerel, KC… mais um monte!

De acordo com dificuldades cotidianas, como você se mantém e como conseguiu distinguir sua vida profissional, afetiva, etc, com a vida que a arte da rua te exige?
Eu trabalho atualmente como professora de Inglês e Português em uma escola, e também trabalho como educadora em um museu. Eu sou formada em letras e atualmente curso artes visuais. Com esse tanto de coisa minha vida anda bem corrida, por isso não consigo pintar com a frequência que eu pintava quando comecei. Sendo assim, qualquer tempinho que eu tiver de folga tem que ser pra pintar! É bom porque eu não acho pintar muito cansativo, acho mais relaxante e se eu faço um bolinho que eu gosto muito eu fico sentindo uma sensação boa por muitos dias. A vida afetiva tem que acompanhar esse ritmo, mas é tranquilo porque o namorado sempre está no role de pintar comigo e minha família curte muito os bolinhos e aceita minha ausência se for pra pintar!

Graffiti Bombs de KC e Bolinho em Belo Horizonte MG

O que você acha que um bom artista de rua precisa ter, para ser bem sucedido em seu meio?
Acho que a coisa mais importante para um artista é ser original e criativo. Tem muita gente que acha que o caminho mais rápido é copiando os outros, mas vai bem pelo contrário, ninguém consegue ser um bom artista se não encontrar seu estilo próprio, acho que não vai conseguir nem ter prazer pessoal se copiar ou depender dos outros para fazer seu trampo.

Desde que você começou, até agora, o que mais mudou e o que continua na arte de rua?
Acho que o graffiti está cada vez menos marginalizado, mais visto como uma forma de arte e menos como uma degradação do espaço urbano. Hoje em dia o graffiti e pichação são fortes influências no design, e assim, você acaba vendo referência de graffiti em tudo: na TV, nos comerciais, em diversos produtos, etc.

Qual época você mais curtiu dar roles? Por quê?
Logo que comecei a pintar era uma época muito boa na minha cidade. Tinha muita gente pintando e todo dia aparecia um monte de graffiti novo. Quando tem muita gente animada você se sente mais estimulado e até mesmo desafiado a pintar. Na sexta feira, ia todo mundo pro duelo de Mc’s encontrar e comentar sobre os trampos novos que viram por aí, sobre novas ideias… era bem legal! Pessoalmente pra mim era uma época meio maluca, estava sem trampar, no último período da faculdade, meio sem grana. Eu saía pra pintar com bem poucos recursos e mesmo assim conseguia fazer três, quatro bolinhos em um dia.

Na sua opinião, qual é o maior castigo pra um grafiteiro?
Acho que o maior castigo pra mim é ficar sem tinta. Sei que para uma grande maioria castigo seria se apagassem ou atropelassem seu trampo, eu já não vejo dessa forma. Pra mim graffiti não é aquele pedaço de parede pintado, mas o momento, o instante em que você fazia o desenho, jogava tinta na parede. Eu não tenho aquele apego com o trampo depois de pronto, porque pra mim vale é o momento que eu estou pintando, então quando acabo de pintar e tiro a foto o graffiti pra mim acabou. Já tive alguns vários bolinhos que não durou um dia e foram apagados, mas foram bem loucos de pintar e isso é o que vale pra mim.

Graffiti Bombs da grafiteira Raquel Bolinho de Belo Horizonte MG

Já foi pego? como? E como foi a punição de acordo com as leis de sua cidade?
Já tive alguns problemas com donos de imóveis e com a polícia, játive que abandonar vários bolinhos pela metade. Mas não foi nada muito grave e essas coisas acabam servindo de estímulo para pintar mais.

Qual o pior erro para um grafiteiro?
Querer ser o outro, copiar, e não tentar criar algo que seja próprio. Tenho certeza que a criação dá um prazer infinitamente maior que a cópia!

O quê a arte de rua te deu e o que ela te tirou?
A arte de rua mudou o rumo da minha vida. Meu deu vários amigos, alguns inimigos e até um marido! Hehehehe!
Tirou todas as minhas economias! hehehehe

O que você diria para os que estão começando agora?
Faça o que você gosta, o que acha bonito, sem tentar agradar os outros, por que o mais importante no graffiti é aquele instante que você está ali conversando com o muro, interagindo, brincando e não ter mil comentários na foto depois! O mais bacana do graffiti é você se divertir, então faça o que te deixa feliz!

Deixe um recado pra quem estiver lendo sua entrevista, se identificando ou não com a sua arte…
Obrigada à galera que perdeu um tempinho aqui lendo sobre mim. Tudo que escrevi são as coisas que penso hoje, mas não quer dizer que são verdades, nem que devem ser aplicadas a todo mundo, nem que eu vá continuar pensando assim amanhã. Opiniões divergentes é que fazem as pessoas evolverem, se todos nós pensássemos iguais não haveria evolução.

Valeu galera do SubsoloArt! Tamo junto!

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Entrevista com Os Gemeos na Lituania

Postado segunda-feira, 12 de março de 2012, 11:00.

Entrevista com Os Gêmeos na Bienal Têxtil de Kaunas, na Lithuania
Entrevista com Os Gêmeos na Bienal Têxtil de Kaunas, na Lithuania

Este vídeo mostra uma entrevista em inglês com os grafiteiros Os Gêmeos durante a montagem de sua instação na Lituania, na Bienal Têxtil de Kaunas, o trabalho foi feito junto sua mãe Margarida Kanciukaitis Pandolfo e tia Verônica Kanciukaitis Tognoli. Sua relação de sangue com a Lituânia se dá através de seu avô que era um lituano.

Os Gêmeos descreveram seu estilo como “um pequeno barco em um mar enorme, tudo é infinito e surpreso.”

Ao fazer a pergunta “O que lhes motivam a pintar?”, eles falam:

“Ódio e amor, vivendo em um país onde você tem que sobreviver, o simples olhar de uma criança pedindo dinheiro na rua, vivendo em um país onde o governo não se preocupa com você, onde não existem leis, onde as pessoas ganham salários miseráveis e ainda estão sorrindo, às vezes, acordar e perceber que foi apenas um sonho. Idolatria, falta de união, vaidade, ego, inveja, pessoas que precisam de outros para ser alguém, as pessoas que usam os outros, amor, estamos orgulhosos de ser brasileiros de São Paulo e, para saber que é aquilo em que acreditamos existir, para escrever incorretamente em Português, a viver alguns momentos que parecem eternos, para usar fogos de artifício na rua, construir o fogo na rua, para dizer mentiras para a polícia, para saber que nossa família nos ama, de fazer as coisas sem pensar, e usando látex e rolos, pintar na rua sem roupas sujas de tinta, para subir em uma escada sem camisa, também da América do Sul a usar a cidade, coisas feias, sabemos que voar no nevoeiro, para flutuar em barcos de papel dentro a chuva.”

Aqui o vídeo da construção de um personagem dos grafiteiros gêmeos.

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Entrevista com o grafiteiro Gueto de São Paulo

Postado segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012, 10:18.

Graffiti de Gueto em Valencia na Espanha

Quem é você e daonde vem?
GUETO, São Paulo – SP.
Turmas:
PV (Puro Vandalismo/ Poluição Visual)
L163 (Referência à um artigo do código penal brasileiro)
EM (Escrita Mambembe)
ADEP’S (Adicción De Pintar *Sudamerica), essa com membros em alguns países da América do Sul.

Desde que ano você assina na rua e como foi o inicio de tudo, o que despertou seu interesse pelo graffiti?
Iniciei no graffiti no ano de 1998 com outro nome(“Rnb”, depois “Art100Limit´s”) até um amigo (Cub) ter a ideia do nome “Gueto” e me convidar pra fazer parte, como uma “crew”…Até chegamos a colocar mais gente pra fazer, mas no fim éramos sempre nós 2 até meados de 2000, quando ele deu uma estagnada. De fato a parceria nunca acabou, mas como me mantive pintando e sempre com o mesmo nome, acabei “herdando” Gueto como apelido…mas pra mim “Gueto” sempre será “RNB+Cub”, pois muito do que aprendi sobre graffiti deve-se à esse meu amigo.
O que me despertou pro graffiti foi ver muita coisa no bairro em que morava, pois era uma região onde tinha bastante gente que pintava, ainda mais para quela época. Eu gostava e já fazia um pouco de pichação bem antes de conhecer o graffiti, mas quando conheci foi como se algo me completasse, pois desde pequeno sempre desenhei e o graffiti foi a junção das coisas pra mim naquele momento.
Uma cena que marcou muito foi em 97 quando vi o Vicio(Boleta) e o Powers(Neg) fazendo um throw up, sendo abordados pela polícia e poucos minutos depois voltando pra terminar. Foi o primeiro contato real que tive com o graffiti, e desde então passei a gostar das tais “letras gordinhas” e decidi que era aquilo que queria fazer.

Que picos você mais gosta de pegar e, o que mais gosta de fazer na rua?
Não tenho nenhum foco específico. Na rua, pinto o que eu julgar legal pro momento e pro meu graffiti, mas geralmente gosto um pouco mais de parede pelo fato de poder pintar de latex, que eu considero a textura bem mais legal que a do spray. E bem típica do Brasil…do princípio da cena aqui.

Graffiti de Gueto no Metro de Paris, França

Conte-nos um pouco sobre os rolês na linha, você é um dos grafiteiros que hoje em dia ainda dá seus rolês, descreva um pouco sobre a L163 e seu amor pelos trens e metrôs mundo afora….
É algo paralelo ao que faço na rua, mas uma atmosfera completamente diferente…somente por viver e compartir entre amigos aquele momento, já que vai apagar e ninguém vai ver. Considero minha turma como uma segunda família, com muitas alegrias e também alguns problemas, como toda e qualquer família tem.
As viagens é uma forma de não se limitar apenas à sua cidade. Como um cidadão do mundo busco expandir sempre e além disso estar conhecendo outros lugares e culturas, seja no Brasil ou fora dele e isso acaba refletindo na minha percepção geral sobre o graffiti, já que cada viagem e cada pessoa que conhecemos é uma visão e um aprendizado diferente.

Como é o role, e como na sua opinião se encontra este tipo de rolê no brasil e no resto do mundo…?
Considero o rolê como um jogo de xadrez. É tático, difícil…vacilou, xeque-mate! No Brasil, especialmente em São Paulo não é nada fácil, pelo contrário, está muito arriscado e a cada mês a gente ouve história de que alguém foi pego ou que correu de tiros na linha. De resto, não tem como generalizar, há cidades/países que você pode levar até seu avô de muletas pra pintar e outros que são tão difíceis quanto ou até mais que aqui.

O que um bomb representa para você, e para o universo do graffiti como um todo?
Representa o próprio graffiti em sua essência.

O que lhe é mais satisfatório em todo o processo de desenvolvimento de seus trabalhos?
Depende muito do que vou fazer…o planejamento é uma parte bem interessante, mas nada se compara ao momento em que se está pintando e transmitindo através da tinta seu estado de espírito no momento.

Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos roles.
Me identifico com quem de alguma forma pense igual à mim ou tenha me influenciado em algo na minha forma de pensar o graffiti. Enor, Nev, Stile, Finok, Dion, Kaur, Koyo, Peter Michalsky(Ale), Ayslap e Lavoe(Chi), entre alguns outros.
Em especial, cito 3 nomes:
Herbert Baglione, com que aprendi a nunca me acomodar e estar sempre exigindo mais de mim mesmo.
OsGemeos, por independente de status, olharem para os outros sempre de igual pra igual e nunca de cima pra baixo. A humildade é fundamental e os exemplos vem de cima, dos mais experientes.
ETROM (Tic), um grande sábio que foi um verdadeiro mestre pra mim em algumas coisas dentro do graffiti, principalmente ao me motivar a começar a fazer rolê na linha, contando sobre suas histórias e aventuras.

Como você conseguiu distinguir sua vida profissional, afetiva, etc, com a vida que a arte da rua te exige?
Busco dividir bem e ser intenso em tudo que faço, variando o foco de acordo com os interesses do momento.

O que você acha que um bom artista de rua precisa ter, para ser bem sucedido no que faz?
Além de talento e vocação? Dedicação, empenho, foco e buscar estudar e entender o que está fazendo.

Desde que você começou, até agora, o que mais mudou e o que continua na arte de rua?
Mudou muita coisa, difícil é saber o que prevalece. Aqui no Brasil, embora tenhamos alguns ótimos writers/artistas cada vez mais se perde a identidade. Basta olhar os graffitis dos anos 90 e os de hoje. Com muito menos informação e qualidade de material éramos muito mais criativos e originais. A “globalização” do graffiti através da internet sem dúvidas é a principal culpada dessa perda de identidade. Parece que se preocupam primeiro em fazer qualquer coisa pra poder aparecer rápido e depois, talvez buscar evoluir. Porém acho natural…tudo que cresce muito acaba sofrendo com isso, em qualquer setor da sociedade.
Além de tudo isso o graffiti acabou deixando de ser apenas um hobby pra ser também usado por alguns como um meio de através da técnica utilizada, desenvolver projetos paralelos e para outros usarem a nomenclatura do graffiti se aproveitando da aceitação da sociedade(o que não costuma ocorrer em outros países) e do “boom” do graffiti aqui para apenas ganhar dinheiro. Isso faz com que alguns novos escritores tenham a visão distorcida sobre o que é realmente graffiti e acabem entrando pra esse mundo tendo como objetivo fazer trabalhos e expôr em galeria e não do principal, que é pintar na rua.

Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
Sem nolstalgia alguma, curti mais entre 1998 e 2003, época em que o nosso “ibope” e principalmente nossos amigos eram feitos somente na rua.

Alguma vez foi surpriendido e chegou a ter que assinar b.o?
Já sim…faz parte do jogo.

O que o graffiti já te deu? E o que ele já te tirou?
Bom, o graffiti me proporcionou momentos únicos e inesquecíveis, me fez olhar pro mundo, me deu e me dá muita satisfação…e alguns bons colegas e amigos.
Já me tirou o sono…(rs),já perdi namorada, já respondi processo, já tomei sustos, corri da polícia, de tiros, já apanhei da polícia, de marmanjo, já foi roubado no nordeste, já sofri acidente quase fatal caindo de altura, ficando internado e tendo múltiplas fraturas pelo corpo, entre outras coisas, mas o saldo final de tudo isso ainda é positivo por incrível que pareça.

Qual o pior erro para um escritor de graffiti?
Se preocupar em agradar o outro ao invés de si próprio.

Qual seu objetivo dentro do graffiti?
Meu objetivo é estar sempre motivado e tendo amanhã sempre mais vontade de fazê-lo do que tenho hoje. Nada além disso…O resto é consequência natural…

O que você diria para os que estão começando agora?
Use essa ferramenta poderosa chamada internet de forma inteligente, use pra buscar conhecimento, estudar sobre a história do graffiti e não apenas pra se auto afirmar postando milhões de fotos semanalmente. Graffiti foi, é e sempre será na rua.

Deixe um recado pra quem estiver lendo sua entrevista, se identificando ou não com a sua arte…
Obrigado por terem dedicado um tempinho do seu dia para ler sobre o que tenho a dizer a respeito dessa forma de expressão. Só friso que falei sobre graffiti de modo geral sob minha ótica e não como verdade absoluta.
Graffiti 4fun, 4life!!
Um grande abraço à todos.

Gueto*
Família Santos FC.

Veja mais em: Blog Gueto / Flickr Gueto

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De Frente Com Gabi – Entrevista com MC Criolo

Postado terça-feira, 24 de janeiro de 2012, 02:15.

No programa de Frente Com Gabi do dia 18 de Janeiro de 2012 rolou uma entrevista com o MC Criolo, o “ex doido” já que não se julga apto para receber este elogio!

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