Cripta Djan conversa um pouco com Serginho Groisman sobre a cultura da pixação no programa de TV Altas Horas, no dia 19/12/2009..
Arquivo da Categoria ‘Entrevistas’
Entrevista com o grafiteiro Evol
17 de dezembro de 2009Qual sua idade?
Denys, 25 anos, nascido em São Paulo.
Qual sua cidade/estado?
São Paulo capital
O que você assina?
EVOL
Por que você resolveu colocar esse nome?
O nome vaio partindo da idéia que:
Evolução = Destruição
toda evolução causa destruição, tudo que cria destrói algo.
Assina em crew? Qual e o que significa?
Gangues:
D.E.M. (destruição Em Massa)
D.V.E.S (De Vagar E Sempre)
B.M. (Bomber Man)
Desde que ano você assina na rua?
Comecei em 1998, mas parei em 2000 e retornei só em 2006 com o nome EVOL.
Que motivo o fez buscar o grafite?
Meu pai é desenhista, Sempre desenhei. Por influencia do skate, acabei me encontrando com uma revista de grafite em uma loja da galeria do rock, a “FIZ”, algum tempo depois, encontrei amigos que sabiam menos que eu, e nos arriscamos na rua, sem saber nada sobre as latas e sem conhecer ninguém.
Acredito que o grafite me buscou, eu até me afastei, mas ele me capturou de novo.
Agora eu não consigo me ver sem desenhar nas paredes.
Que picos você mais gosta de pegar e, o que mais gosta de fazer na rua?
Não tem tempo ruim pinto em qualquer lugar, mais gosto de encontrar brechas na cena urbana, onde o grafite se encaixa.
Gosto de pintar becos e vielas… Com um trampo mais na calma, lugares onde combine com o ambiente…
Onde não pode, o esquema é deixar uma marca chamativa, na rápida e sumir.
Como você descreve seu estilo, e a evolução de seu trabalho, em volta ao caos da cidade?
No meu grafite estilo e a evolução são sinônimos, daí o nome.
Pra mim a letra é um estudo sem fim. Estando na ativa, ela vai mudando e cada vez ficando mais original.
Eu tento buscar um estilo único, e gosto de misturar com o Old school, e tento fazer isso interagir com a poluição e o ambiente conturbado do dia-a-dia da metrópole.
O que um bomb representa para você, e para o mundo do graffiti como um todo…?
Pra mim é o puro grafite da forma mais espontânea.
Acho que criar é quebrar a mesmice do cotidiano.
E o grafite é isso violar as barreiras unicamente com o intuito de deixar tua marca ali.
E esse grafite é o bomb. O bomb é isso, não importa se é como o “NEGUINHO Z/O” ou “Os Gemeos” é mais uma atitude do que uma estética.
O que lhe é mais satisfatório em todo o processo de desenvolvimento de seus trabalhos?
É exatamente a hora de pegar a lata de spray, essa hora geralmente estou acompanhado de amigos e cerveja.
Chegou em um momento de sua caminhada, em que devido aos problemas do cotidiano e/ou até mesmo os problemas encontrados por artistas de rua, lhe fizeram se questionar “Será que devo seguir? Aonde vou parar…?” Se sim, o que o fez pensar positivamente?
Tive dois processos acusado (e culpado) de “crime ambiental”.
Não sei explicar direito mas, a única coisa que isso me fez pensar foi em fazer mais e mais e mais…
Como foi pego, e como foi a punição de acordo com as leis de sua cidade?
Depois de fazer muitas coisas “erradas” por aí fui pego no meu bairro pintando uma casa demolida, por causa de uma denúncia.
Os policiais nem sabiam o que fazer quando chegaram. A outra depois de um bomb na Av. Angélica, com meus amigos Agon, Risada e Syke.
Descemos pra av. Amaral Gurgel. Encontramos um desconhecido pintando o viaduto, era um francês “Ikone”, depois de nos conhecermos ele chamou pra pintarmos do lado. Dez minutos depois chegaram as viaturas e assinamos outro B.O.
Fui pro fórum com o Risada (Smile) e o B.O. do francês hoje é está emoldurado na parede da casa dele em Paris.
Estou aguardando pra cumprir 40 horas de Serviço comunitário e assinar mensalmente no Fórum da barra Funda durante 24 meses. Vamos fazer uma corrente de energia positiva pra que essas penas precisem ser cumpridas.mande para mais 7 amigos…
Trilha sonora inspiradora?
Não sei se talvez porque no “meu” começo o som era esse, mais acho que RAP sempre foi a trilha do grafite, apesar te ter gente que não concorda.
Na hora do Bomb escuto um “Rage against the machine” que mistura perfeitamente os dois som que mais gosto.
Você acredita que existem barreiras atualmente entre as “modalidades” de arte de rua, de artista para artista? o que na sua opinião impõe essas limitações?
Acho que as barreiras só são impostas pelos próprios grafiteiros. Um tá a fim de ir pra galeria outro só quer a rua. Um quer viver e ganhar dinheiro com o grafite, o outro acha errado. Cada grafiteiro tem uma opinião. Mais quem quer se promover consegue independente da qualidade do trampo.
Você acha que hoje em dia existe união de grafiteiros entre si? E pixadores e grafiteiros por exemplo?
Os grafiteiros estão muito unidos. Diferente do meu inicio hoje ninguém tem dificuldade em encontrar um parceiro pro role.
Falou de encontro, o muro fica pequeno. Talvez pela quantidade de grafiteiro que tem aparecido. Quanto ao pixo a maioria das vezes róla um respeito. Na rua a lei é ninguém atropela ninguém, no boca a boca as vezes tem umas alfinetadas mais geralmente é contra o grafite em troca de dinheiro.
Você trabalha? Em quê?
Sou Designer Gráfico. Foi minha forma de juntar o desenho e o trabalho.
Como você conseguiu distinguir sua vida profissional, afetiva, etc, com a vida que o grafite te exige?
Na verdade as coisas sempre aconteceram ao mesmo tempo, eu trampava, estudava, namorava, tocava com minha banda todo fim de semana e ainda grafitava.
É o ritmo de São Paulo. E tem gente que não pinta porque fala “to trampando pra caramba”, ou acha que namora e não dá… Quem tá na pegada tá…
(Pros que tão pensando “essa foi pra mim”… foi pra vocês mesmo..hahaha)
O que você acha que um grafiteiro precisa ter, para ser bem sucedido em seu meio?
Apetite, disposição e vontade. E tinta. Às vezes não tenho.
Desde que você começou, até agora, o que mais mudou e o que continua na arte de rua?
A tecnologia. Tanto da internet, quanto no material.
Encontrar o grafite e os grafiteiros é bem mais fácil.
O material está facilitando cada vez mais a vida do grafiteiro.
Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
Gostei de começar na época de um grafite mais ingênuo, quando tudo o que eu tinha era vontade de fazer um desenho no muro, látex rolo e duas latas de colorgin automotiva.
Hoje eu tenho contato com todos os grafiteiros que eu conhecia só o trampo no muro.
O material que eu uso (às vezes) é o mesmo que o “mundo” todo usa.
Acho que é tudo uma evolução da mesma coisa.
Queira ou não seu trampo vai estar no mundo virtual, ninguém pode impedir.
Se a cabeça da população muda, muda o impacto que seu trampo causa.
Na sua opinião, qual é o maior castigo pra um grafiteiro/pichador?
Não ter de onde tirar as tintas. Eu por exemplo, tenho muito mais disposição do que tinta.
Qual o pior erro para um grafiteiro?
Um grafiteiro deixa de ser grafiteiro quando não está nas ruas.
O quê o Grafite te deu?
Muitos amigos.
O que a arte de rua te tirou?
A vergonha na cara… haha
Me deixou um pouco mais cara de pau, pra algumas coisas.
Oque você diria para os que estão começando agora?
Ame as ruas da sua cidade, é lá que está o grafite.
E pinte até o dedo cair.
Deixe um recado pra quem estiver lendo sua entrevista, se identificando ou não com a sua arte..
Eu não concordo com as minhas opiniões, não exijo que ninguém concorde com elas.
Entrevista com a grafiteira Anarkia Boladona
18 de novembro de 2009Nome, idade, classe, raça, genero, religião.
Anarkia, 26 anos. Moradora de classe baixa do subúrbio carioca. Sou uma grande mistura de raças como todos do meu país. Mulher. Ateu.
Por que você resolveu colocar esse nome?
Eu comecei a escrever anarquia na adolescência no movimento de pichação pois para mim nesta época essa palavra soava como símbolo de liberdade e rebeldia, pois como uma mulher eu tive uma criação limitada ao espaço privado e o poder e desejo de estar na rua era o que me seduzia a pichar.
Assina em crew? Qual e o que significa?
Não tenho uma crew, mas sim uma “sigla” que é um tipo de gangue de pichação que é a AR – Amantes do Rabisco – uma das mais tradicionais do Rio de Janeiro com 20 anos de existência. Assino esta “sigla” a 8 anos.
Desde que ano você assina na rua?
Eu fiz minha primeira pichação em 2000, tendo o meu auge nesta cultura em 2002. Em 2001 fiz meu primeiro graffiti. No Rio de Janeiro pichação não é graffiti, são duas culturas completamente diferentes que dificilmente se misturam. Enquanto pichadora eu fazia parte da terceira geração, pois esta surgiu no final da década de 70. Mais tradicional e essencialmente vandal, acabei optando por me envolver e freqüentar o universo da pichação o que me fez acompanhar de longe a evolução da primeira geração de grafiteiros cariocas. E apenas no final de 2005 comecei a fazer graffitis com real freqüência, conhecendo e freqüentando o meio e me nominado grafiteira. Por isso considero que grafito a apenas 4 anos.
Que motivo o fez buscar o graffiti?
Desde criança sinto como se não me contentasse com a maneira com que as coisas do mundo estão organizadas o que me tornou uma pessoa sentimentalmente excluída exceto pelo fato do meu círculo de ligações enquanto praticante de intervenção urbana. Não a forma visual final, mas sim os meus atos e convivência com rua são um reflexo deste meu questionamento interno sobre a forma que construímos culturalmente nosso mundo.
Acredito que a pichação seja uma forma inconsciente de mostrar que algo não vai bem na estrutura da organização da cidade, uma vez que a considero como fala dos inadaptados que sentem necessidade de algo mais que não seja apenas viver sobre os padrões impostos.
Esta é a conclusão que cheguei hoje, mas é claro que quando agente começa a pichar agente nunca entende porque está fazendo isso. É instinto.
Que picos você mais gosta de pegar e, o que mais gosta de fazer na rua?
Qualquer coisa que faço na rua me deixa exitada, desde uma pichação a um painel, porém são dois tipos de sensações diferentes. É explicito minha empolgação com atitudes q necessitam de mais adrenalina, mas ao mesmo tempo só o fato de estar mexendo com a tinta já me seduz e eu me entrego muito mesmo a pinturas mais tradicionais.
Como você está vê a cena do Rio de Janeiro e do Brasil?
Quando falamos de graffiti, percebemos que este já foi muito absorvido pela mídia e se tornou algo vendável o que descaracteriza suas ações de inconformismo e se adapta aos critérios aceitáveis de comportamento para convívio social. Graffiti no Rio de Janeiro praticamente não possui ilegalidade, uma vez que não possui uma cena de vandalismo forte e a população e o governo apóia sua aplicação pelos muros da cidade como forma de arte e revitalização dos espaços degradados. Uma prova do que falo são as curiosas pinturas nos trens da companhia carioca que prefere aplicar esta forma de arte que é barata, bonita e agrada a todos revitalizando visualmente os vagões antigos, quando na maioria dos países do mundo existe uma casa aos pintores de trens e esse tipo de atitude seria impensável uma vez q estimularia as ações de vandalismo. Outro exemplo é o uso do graffiti como oficina em presídios para menores infratores enquanto arte educação. Como poderíamos imaginar algo que é punido pela lei sendo lecionado para infratores em presídios?
No Brasil fomos privilegiados pela questão do atraso tecnológico e em relação a globalização pois por ser um país subdesenvolvido a população não tinha acesso ao mesmo tipo de informação como a parte norte do Hemisfério e toda a tecnologia desde internet a latas de spray sofisticadas que demoravam anos até chegar no país. Ao contrário do que se possa imaginar, isso não foi prejudicial para o graffiti brasileiro, muito pelo contrário foi um privilégio manter-nos afastado de toda a cultura mãe de Nova Yoque uma vez que deixou nosso poder criativo livre de influencias criando culturas diferentes de todo o mundo como o tag reto de São Paulo e o uso do látex como solução para o alto valor da lata de spray. E não só apenas por isso, mas o respeito pela adversidade, como acontece na questão da religião e no convívio de raças e misturas diversas. Esse respeito criado no país deixou muito livre as pessoas em desenvolverem o graffiti de diversas formas que muitas vezes poderiam ser olhadas de forma crítica em ambientes em que a Letras e a cultura novaiorquina fossem dominantes.
Isso é um dos motivos que torna hoje o Brasil um dos exponentes do graffiti mundial gerando talentos e novidades sem fim.
Hoje, enquanto país em desenvolvimento e globalizado, a maioria dos recursos chegam ao nosso territórios em um período muito curto de tempo e além de hoje contarmos com políticas governamentais como a de inclusão digital e outras que vêem sendo aplicadas desde o antigo presidente até os oito anos de mandato do atual.
No meu trabalho isso influenciou na forma de pensar o mundo. Pois, ao mesmo tempo que tive influencia dessa liberdade artística, herança das antigas gerações, tive acesso ao mundo através da internet o que evoluiu minha consciência da posição que ocupo em minha sociedade e comparações na maneira de ser dos ambientes como exemplo o próprio exemplo do feminismo que é acentuado na América latina como reflexo desse atraso tecnológico e cultural e que muitas vezes não é compreendido pelas mulheres do norte já que já alcançaram sua emancipação a muito mais tempo que nós.
Como você descreve seu estilo, e a evolução de seu trabalho, ao longo dos anos?
Não confiro a parte visual a maior importância para as minhas pinturas, mas sim ao contexto e conceito das criações e ações. Considero meu trabalho é efêmero e diversificado passando desde letras simples a personagens realistas em graffiti em muros legais e veículos ilegais.
Na sua opinião, o que lhe representa o graffiti?
Graffiti pra mim é um estilo de vida. Ele está presente me tudo o que faço.
O que lhe é mais satisfatório em todo o processo de desenvolvimento de seus trabalhos?
Eu ter certeza que posso quebrar os padrões e ir o mais longe que desejar sempre que quiser.
Trilha sonora inspiradora?
O tec tec da latinha balançando na madruga e depois o Tsssssss…….
Filme inspirador?
Admirável Mundo novo. É um filme que aborda o tema do controle. Não só ficção é pura filosofia. Realidade possível.
Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos roles.
É claro q o Vinga foi o precursor da geração de pichadores inimagináveis do Rio como Kadu, Bobe, Fyt, Ellus, Maneco, Kik e outros. Esses são os q eu admiro. Em S~ao Paulo admiro Pixobomb pela cara de fazer o q fez em ações como a da Bienal e da choque cultural.
No graffiti é claro, quem não é fã dos gêmeos? Tenho uma admiração grande também pelo Finok, Zefix e os outros meninos da ANX q mesmo em época de cinza em São Paulo destruíram tudo. Poucos tem disposição como eles.
Influencia é outra coisa. Acho que minha formação principal na rua veio da convivência com a OD2, uma das siglas de pichação mais fodas desta década aqui do Rio. Os caras não só pichavam, mas vaziam todo tipo de coisa q se possa imaginar que venha da rataria da rua, e minha casa era o quartel central da rapaziada. E nisso se formou n~ao meu estilo nas paredes mas a minha maneira de pensar e agir, saber lidar com a rua, saber ser sagaz como dizemos aqui.
No graffiti minha maior influencia ‘e a Lady Pink que em um momento aonde menos se esperava o destaque de uma mulher, ela conquistou o respeito dos grafiteiros por todo mundo!
Você acredita que existem barreiras atualmente entre as “modalidades” de arte de rua, de artista para artista? o que na sua opinião impõe essas limitações?
A maior barreira é o preconceito. Acho que o ser humano tem q aprender a conviver com pessoas que pensam de formas diferentes e respeitar o próximo. Isso não é só no graffiti mas em qualquer setor da vida, pois nós podemos perceber que as maiores guerras do mundo acontecem por um grupo que acha que tem o poder de saber o que é certo.
Cada pessoa é diferente da outra e cada uma tem seu ponto forte. Não podemos dizer quem é melhor ou pior, qual o mais verdadeiro graffiti ou dizer o que ‘e certou ou errado. O importante é cada um ser feliz com aquilo que faz e respeitar as ações dos outros.
Você acha que hoje em dia existe união de grafiteiros entre si? E pichadores e grafiteiros por exemplo?
A pichação carioca passou por uma grande reviravolta nos últimos anos. Antes a cena era mais agressiva, existia porrada na reú pra quem desse mole na pista ou no papo. Hoje, com essa coisa de evento, votação e família os caras estão mais tranqüilos, todo mundo é amigo de todo mundo, existem poucas inimizades.
Acho que no Rio de Janeiro tanto no graffiti quanto na pichação existe muita união por conta da violência. Aqui qualquer um tem acesso a arma, brigar com os outros é só dar motivo pra matar. E aqui sabe como é, se mata por R$1,00. Uma maneira de manter a paz e evitar tumulto é respeitando a maneira de cada um ser, e o lance do atropelo é um exemplo disso. Aqui é uma coisa que não existe mesmo, só se o cara for muito cagão! Até os pichadores e grafiteiros hoje estão procurando se respeitar.
Como você conseguiu distinguir sua vida profissional, afetiva, etc, com a vida que a arte da rua te exige?
Como já falei, graffiti é o meu estilo de vida, não existe distinção. Trabalho dando aulas de arte em Casas de Cultura e meus alunos me procuram pelo meu trabalho com artes, no caso por conta das minhas pinturas.
Minha família já acostumou com as tintas e com minha maneira diferente de viver. Já falei pra minha mãe q ela não tem q ser preocupar com ladrão, com bebida, bala perdida, com nada disso, ela tem é q ficar preparada com o dia que eu for presa pintando.
Sobre a vida afetiva, eu fui casada com um pichador e depois namorei 3 anos com um grafiteiro. Meu ultimo relacionamento também foi com um pichador.
E difícil imaginar um homem comum aceitando a minha convivência no meio de homens, indo para reuniões de pichação e passando o domingo na rua chegando em casa toda suja de poeira e tinta, alem de descabelada!
Mas acredito que o mais importante nesta situação e continuar sendo considerada pelo o que eu faço, pelo o que eu sou. Me sinto envergonhada como mulher de ver meninas que são associadas aos nomes de namorados e não fazem nada para sair dessa situação e se emancipar. E como uma prisão sem grades. E como não ter identidade.
Você já consegue viver financeiramente tranqüila, trabalhando com as técnicas do graffiti…? O que principalmente tem usado para trabalhar?
Como eu dou aulas, eu ganho o suficiente pra viver normalmente sem perrengues. Mas realmente as vantagens do graffiti comercial e das galerias me seduzem cada vez mais pois é um dinheiro que não ganharíamos trabalhando em um emprego normal. Tem sido uma luta muito grande pensar em meus ideais e me manter forte diante de propostas envolvendo um dinheiro maneiro. Me lembro quando fiz alguns trabalhos pra globo e na seqüência pra Nike brincava falando q Anarquista é essa que se deixa levar pelas as armadilhas do capitalismo! Mas como o próprio Baukunin, pai do anarquismo, falou a seu irmão quando o mesmo quis vender seus terrenos… ”- Espere primeiro a revolução, depois dividimos a terra!”
O que você acha que um bom artista de rua precisa ter, para ser bem sucedido em seu meio?
Tem que saber o que está fazendo. Não é só saber pintar bonitinho. Tem que entender o seu mundo. Graffiti é mais do que uma figura na parede.
Desde que você começou, até agora, o que mais mudou e o que continua na arte de rua?
Acho que o que mais mudou nisso tudo fui eu! A rua e o graffiti me ensinaram tantas coisas que eu nunca mais serei a mesma.
Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
Acredito que e a agora pois tenho pintado sozinha e isso tem me proporcionado uma grande satisfação de ver que não preciso de ninguém para realizar minhas acoes. Que posso fazer tudo o que quiser quando quiser sem ter ninguém pra dar palpite ou interferir. Também porque foi um ano que voltei a pixar, mesmo que de cao, foi muito legal estar com os moleques do xarpi novamente e viver esse ritmo louco. Foi bom pra dar uma acordada pra vida novamente.
Não ter tinta. Porque o nome apagar é triste, mas tendo tinta tu vai la e faz denovo!
Já foi pega? como? E como foi a punição de acordo com as leis de sua cidade?
A polícia do Rio é corrupta. Ou te batem ou te roubam. Não é do interesse deles prender e perder tempo levando pra delegacia pois o tráfico já lhe da problemas mais sérios e em grande quantidade. Pichação é bobeira, e nessa ai, eu já passei pelas duas situações.
Já teve polícia perguntando se não ia ganhar nem um “beijinho” e perguntando o q eu tenho pra oferecer pra ser liberada. É mole?
Nessa situação eu falei: Pô, então pode me levar presa porque eu sou louca mais sou moça direita. Então ele me roubou meus R$20,00 e me liberou devolvendo a tinta.
Qual o pior erro para um grafiteiro?
Achar que é mais q alguem. Isso ai é uma grande ilusão pois um dia vc ta la encima outro dia vc ta la embaixo.
Se arrepende em algum momento de ser grafiteira? Porque?
Arrepender porque?
O quê a arte de rua te deu?
Por causa da convivência da rua eu acredito que enxergo mais além do que se tivesse vivido uma vida norma trancada em um apartamento. Conheço a minha cidade, o meu mundo.
O que a arte de rua te tirou?
O convívio com minha família. Hoje me sinto muito distante por conta da escolha de meu estilo de vida fora dos padrões.
Você é conhecida por ter uma personalidade muito polemica. O que você acha disso?
Minha fama de boladona vem da minha personalidade forte que não me deixa levar desaforo pra casa. Mas isso na verdade enxergo como qualidade pois foi isto que nunca me deixou ser excluída, me fez impor diante um meio tipicamente masculino e me fez exigir os meus direitos. Se hoje eu conquistei respeito pelos demais amigos grafiteiros foi justamente porque nunca me deixei abater.
O que você diria para os que estão começando agora?
Se é pra fazer, então faça direito.
www.anarkiaboladona.com
www.flickr.com/anarkiaboladona
www.myspace.com/anarkiaboladona
www.fotolog.com/anarkiaboladona
www.facebook.com/anarkiaboladona
www.twitter.com/anarkiaboladona
Vídeo entrevista com o grafiteiro Speto
10 de novembro de 2009Speto fala sobre o graffiti, arte de rua como mídia alternativa e seu desenvolvimento ao longo dos anos!
Entrevista com Boneco, trenzero de Curitiba!
6 de novembro de 2009Ano passo tive a sorte de poder morar em Curitiba-PR e conhecer muitas pessoas da cena do graffite e da pichação curitibano. Primeiramente devo agradecer a todos que me apoiaram durante todo ano passado e pedir desculpas para o Boneco pela demora…
Em breve terá um pouco mais da ferrovia nacional..
Abraço a todos, Obrigado Boneco, Ysto, Guto, Only, Prosa, Now desculpe a demora!
Qual seu nome?
Luiz fernando de #######
Qual sua idade? (opcional)
30 anos
Qual sua cidade/estado?
CURITIBA-PR
O que você assina? Por qual motivo você resolveu colocar esse nome?
BONECO ( bo) apelido de infancia,acho por ser um pouco barrigudo seu “boneco da escolinha do professor raimundo.”
Assina em crew(pixo e graff)? Qual e o que significa?
Wbt (writer bomb trem)
Desde que ano você assina na rua?
Pixaçao comecei meados de 1995,96…….
Trilha sonora inspiradora?
Ramones,curto pra caralho…da animo ouvi-los……
Filme inspirador?
Nenhum filme nao…
Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos roles.
Adimiraçao na pixaçao: ums mano de sao paulo” PAVILHAO” NOS TREM (DOES)
Conte um poco dos 11 anos da sua Gang Os Caretas.
BOM OS CARETA COMEÇOU MEADOS DE 1996 DIA PRIMEIRO DE MAIO FOI a primeira galera com proposito de pixar ate entao existam pixaçao em Ctba DE TORCIDAS ORGANIZADAS,CARA SOZINHO,ETC….. VOU CITAR ALGUM QUE JA PIXAVAM EM 96:SPOK,EDDY MURPHY, OPB ( organizaçao pixadores boqueirao) jappa kamikaze,sangue,……
Reuniões entre pixadores, têm importância? qual?
Point de pixo e importante sim…nao pra brigar..mais sim pra se organizar e colher informaçoes,sobre local a ser pixado ,etc….
Você acha que hoje em dia existe união de pixadores entre si? E pixadores e graffiteiros por exemplo?
Pixadores e graffiteiros nao tem que se unir ,eles tem que se respeitar conheci muito pixador que viro graffiteiro e anos mais tarde atropelo o pixo dele mesmo…….que todo mundo curtia…por dinheiro!! foda.
Você trabalha? Em quê?
Sim..trabalho,sou Brasileiro porra,srsrrsrsrsr
Como você conseguiu distinguir sua vida profissional, afetiva, etc, com a vida que a arte da rua te exige?
Sim,vc tem que saber diferenciar as coisas familia,trabalho,role,pra min essa e a ordem.ninguem vai conseguir dar um role seja onde for: rua,linha,sabendo que seu filho esta doente.
Que picos você mais gosta de pegar?
Gosto bastante de andar nas linhas, de ctba e regiao metropolitana nem que seja so pra olhar ou registar fotos..pra amigos…
Certamente sua trajetória na linha é grande e merece ser destacada, conte um pouco oque mudou de quando você começou a colar na linha até hoje!
Bom começei a pintar na linha por influencias de amigos. ver muita coisa tambem..e revitas etc….começei em 2002e aqui em ctba..ja existiam pessoas que pintavam trem como: muquei(ciume) note,mase,cimpls.dose,dois ,agediu.acen,cims.neto.
Qual a sensação de ver um role rodando pelo Brasil anos depois de você tê-lo pintado?
A sensaçao de ver um role seu rodando e muito loca,e como de dever cumprido, eu constumo dizer que vc nao pinta trem pra vc ver,vc tem foto tudo mais,vc pinta pra outros ver,e lhe contar depois.
Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
O começo 2002 nao tinha internet pra todos.
Já foi rodo? como?
Nao gosto de falar sobre isso.
Na sua opinião, qual é o maior castigo pra um pichador?
Ver sua pixaçao apagada.
Qual o pior erro para um pichador/graffiteiro??
Um nao respeitar o outro.!!!!!
Se arrepende de ser ou ter sido pichador/graffiteiro? Porque?
Nao…so me arrependo dos pico que nao catei,e o outros cataram!
O quê o graffiti te deu?
O graffiti deu pra min muita amizade, o que as pessoas esquessem hj em dia………só alegria.rizada etc…
O que o graffiti te tirou?
Nao, ele nao tiro nada.so me deu.
O que você diria para os que estão começando agora?
Domine o bagulho ,nao deixe o bagulho ,dominar vc!
Deixe um recado pra quem estiver lendo sua entrevista, se identificando ou não com a sua arte…
Recado que posso deixar e que,seja simples somos todos iguais perante a DEUS, e outra coisa.nao importa se vc pinta
muro ,trem, predio,desde95,96,2008,2009 o importante.e se divertir!!!!!!!!!!! ai mano vo mandar um salve pros mano ai:
OS CARETA (TODOS DO JARDIM MARINGA) pros MANO DA WBT( ARNO,maico,adriano) pros lords tambem(.robson.bob.)pro NOW QUE SEMPRE TA JUNTO……É ISSO AI VIVA AVIDA ENQUANTO VC PODE.( FÉ EM DEUS.)
Entrevista com o grafiteiro Foco MPC
22 de outubro de 2009Qual sua idade?
28
Qual sua cidade/estado?
São Bernardo do Campo – sp
O que você assina?
Foco – MPC
Por que você resolveu colocar esse nome?
Bom, no inicio esse nome era uma sigla Fodam-se Os Corruptos Oportunistas, quando comecei a pintar acreditava que o graffiti tinha uma missão unicamente politica e social, rolava umas frases de protesto tipo “foda-se o sistema” e “O governo é o diabo e o povo a salvação” mas ae a cabeça foi mudando e percebi que podia ser mais que isso…
Além disso o nome tem 2 letras “o” isso pra mim facilita na hora de desenhar a letra, faz com que as formas fiquem cheias, sem muitos espaços internos, acho que isso melhora a estética da letra.
Assina em crew? Qual e o que significa?
Isso depende da Definição de “crew” que cada um tem, na tradução correta da palavra, crew significa tripulação, e a tripulação é sempre a ultima a deixar o navio né? rsrsrs
Mas o que eu assino desde o começo é MPC – (Mundo Periférico Crew) e nesse começo eram 12 pessoas que assinavam, depois de algum tempo só ficaram alguns, e vieram outros, e tambem deixaram…
Hoje “MPC” deixou de ser uma crew como era no formato inicial e se incorporou no mome que eu escrevo “Foco – MPC”
Desde que ano você assina na rua?
Desde 1999 ano do meu primeiro contato com a rua, lembrando que na minha opinião o tempo deve ser contado a partir dos roles na rua e tambem da constancia destes roles, tem muito cara que fala que ta a 5, 15, 20 anos no role, mas parou de pintar na rua por grandes periodos, isso acho que descarateriza o tempo…
Nesse mes de agosto comemorei os 10 anos de role… tenho mó orgulho disso!
Que motivo o fez buscar o graffiti?
Acho isso dificil de responder, é incosciente e involuntário…
Na real o graffiti me buscou!! rsrsrsrs
Que picos você mais gosta de pegar e, o que mais gosta de fazer na rua?
Pô ja passei por várias fazes, mas acho que o que sempre me encantou foi o ritual de sair pra pintar, seja o role legal ou ilegal, o ritual de separar as cores, colocar as as tintas na mochila, encontrar os irmãos sair e respirar o ar das ruas…
Mas voltando a pergunta, gosto mesmo das coisas classicas, muro de tijolinho por exemplo!
Conte-nos um pouco sobre a cena do ABC…
Vixi! No ABC a cena ja passou por várias fazes, desde o “Guerra de Cores” e “AVCRew”, a coisa mudou muito, hoje vejo uma rapaziada fazendo a parada idependente dos grupos, varios caras se agilizam nos rolês sozinhos, não ouço falar mais do termo “Graffiti Arte” acho que a rapaziada de hoje se preocupa mais com a rua, o rolê mesmo como ele deve ser…
Isso é muito bom!
O que um bomb representa para você, e para o mundo do graffiti como um todo…?
Putz! Depende de novo da definição da palavra Bomb!
pra mim, representa ir la e fazer!!
e pra o mundo do graffiti representa ir la e fazer!! rsrsrs
O que lhe é mais satisfatório em todo o processo de desenvolvimento de seus trabalhos?
A higiene mental que o rolê proporciona!
Trilha sonora inspiradora?
Ah! Rap nacional desde sempre e Break-Beats!
Filme inspirador?
“Dirty Hands”
AHHHHHh bem loko!
Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos roles.
Danone e Cena7
Você acredita que existem barreiras atualmente entre as “modalidades” de arte de rua, de artista para artista? o que na sua opinião impõe essas limitações?
hum…
Não sei dizer nem classificar essas modalidades, acredito só que existe a arte de rua e existe o Graffiti, que é escrever o nome!
Você acha que hoje em dia existe união de grafiteiros entre si? E pixadores e grafiteiros por exemplo?
Acredito que existe a união entre amigos…
Você trabalha? Em quê?
RSRSRSR
Sim trabalho, sou recepcionista de Hospital!
E tambem ministro oficinas de graffiti, num projeto da prefeitura de sbc.
Como você conseguiu distinguir sua vida profissional, afetiva, etc, com a vida que o graffiti te exige?
Não consegui até hoje!
Isso sempre gera conflitos…
O que você acha que um bom artista de rua precisa ter, para ser bem sucedido em seu meio?
Um escritor de graffiti, precisa só escrever graffiti, a rua proporciona o resto…
Desde que você começou, até agora, o que mais mudou e o que continua na cena do graffiti?
Mudou a cena como o mundo muda!
mas acho que o uso da internet é o que mais fez diferença, pro melhor e pro pior…
outra coisa foram os albuns de foto, antes todo mundo tinha um album com as fotos dos trampos, hoje todos tem um flickr com fotos modificadas em programas… inclusive eu! rsrsrsr
Qual época você mais curtiu dar roles? Por quê?
A de hoje é claro! E a que ja passou Tambem! E que vai vir gosto mais ainda!
Na sua opinião, qual é o maior castigo pra um grafiteiro/pichador?
Ficar sem tinta! rsrsrsrs
Já foi pego? como? E como foi a punição de acordo com as leis de sua cidade?
Nunca “assinei” Ja rodei algumas vezes, mas sempre consegui trocar idéia no enquadro, os “policias” são engraçados né, sempre chegam arregaçando tudo, mas 5 minutos depois quando voce esboça meia duzia de palavras difíceis, ou com sentido técnico, eles percebem que não estão lidando com um simples marginais…
Ae a coisa muda, voce começa então a mentir, dizer que estuda arte contemporânea e que está fazendo um tcc pra faculdade de artes que vc termina esse ano…
Pronto! O policia vira seu fã, e te pede desculpas, e ainda deseja bom trabalho!!
rrsrsrrs
quem dera fosse sempre assim, mas pode fincionar as vezes, o esquema é sempre estar bem estruturado no que vai falar, tenho uma dica boa:
Quando os “policias” pararem voce pintando um muro ilegal e perguntar:
-É autorizado?
voce respode
-Não, não, é voluntário!
rsrsrsr
Qual o pior erro para um grafiteiro?
Esquecer de colocar uma parte do ponto de fuga de um Wild-Style,
ja fiz algumas vezes e nunca me perduei!!
rsrsrsrrsrs
Se arrepende de ser ou ter sido grafiteiro? Por quê?
HUm? ta loco?
Arrependo-me só de num ter começado antes!
O quê o graffiti te deu?
Me deu amigos, e me dá sono quando tenho que trampar no outro dia.
O que graffiti te tirou?
A rotina, pq sempre aparece coisas novas pra fazer ou organizar!
O que você diria para os que estão começando agora?
Vai lá e faz!
Deixe um recado pra quem estiver lendo sua entrevista, se identificando ou não com a sua arte…
salve a todos que acompanham os rolÊs, ou não, mas que tão sempre junto.
Queria só deixar a idéia que o graffiti existe de várias formas/maneiras/jeitos… e que cada um vive a forma que condiz com o seu dia-a-dia, isso independe das imposições que outros possam colocar, entaum o esquema é respeitar e se informar sobre o que voce ta fazendo, se te agrada, vai la e faz!
Abraços

(2 votos, média: 4,00) 
































































































