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Entrevista com o Grafiteiro Cena7

Postado terça-feira, 11 de agosto de 2009, 09:00.

Pixacao - São  Bernardo - Cena7

Qual sua idade?
Tenho 24 anos.

Qual sua cidade/estado?
Moro em São Bernardo do Campo – SP – mas me considero cidadão do mundo.

O que você assina?
Cena7

Por que você resolveu colocar esse nome?
O nome surgiu de um amigo num momento em que eu só queria um nome-motivo pra ir pra rua fazer algo… Diz ele que por curtir rap, pensou em “acena” ou “acenadoloko”
E acabou por cena rimar com sete na concepção dele e assim ficou… Cena7, depois de uma semana esse amigo parou e eu continuei ate os dias hoje, sempre pra frente.

Assina em crew? Qual e o que significa?
Assino uma, POVO que no esquema de escrever na rua, assino junto com o Emol – http://www.flickr.com/photos/emerson-emol
O intuito Dela é de coletivo – pessoas que se unem pra produzir coisas que envolvam arte, cultura, entretenimento, diversidade, união… POVO é nois tudo.
A palavra também carrega consigo um duplo sentido. Ao mesmo tempo em que quer dizer grupo de pessoas é também a sigla para Pessoas Organizadas Vencem Opressão.
Mais aqui – http://povo-povo.blogspot.com/

Desde que ano você está envolvido com arte urbana?
O ano que tomei a decisão de começar a escrever o nome Cena7 foi em 2000.

Que motivo o fez buscar o graffiti?
Não sei o motivo ao certo, acredito que as coisas que são verdadeiras para cada um de nos, nos acha no mesmo momento em que as achamos; sempre influenciado por inscrições em paredes que depois descobri chamarem pixaçoes, e de um modo mais universal, graffiti, foi natural, fui, fiz 1, 2, 3… E por ai foi… E ate hoje é – só por hoje.
Que picos você mais gosta de pegar e, o que mais gosta de fazer na rua?
Lugares que o olhar abandona me interessam. Enxergar beleza é algo relativo e para mim tem muito haver com a experiências de mundo que cada um de nos carrega e acumula na vida; gosto de varias modalidades dentro dos graffiti e vou em sentido sempre de criar uma linguagem que vá alem código de escrever o nome com letras; sejas elas retas ou curvas; gosto da idéia de criar um trabalho que seja “para todos”, que dialogue com a cidade de uma maneira inclusiva, isso de certa forma pra mim inda continua sendo meu nome, apenas se torna uma re- significação do estado de escrever na rua, o que para quem vive-estuda a cultura, pode vir a se chamar de pos – graffiti.

Grafiteiro Cena7 em ação!

Como foi o processo de evolução para seu estilo, quais são suas inspirações em seus trabalhos?
Natural, como fazer um bolo, se melhora a cada receita, pelo fato de que se começa a compreender o que se faz, o bolo vira uma extensão da ação em produzi-lo.
São muitas as minhas inspirações, em especial algumas pessoas que passaram e passarão pela minha vida e eu com o maior prazer pela delas; no meu caso, sempre têm aquela mulher… Sempre tem aquela pessoa que agente fica sabendo que existiu e fez tal coisa p’rum bem alem dela também, isso quase sempre me causa ins-Piração.

Fale um pouco das técnicas de arte de rua que mais lhe agradam e se encaixam com o seu estilo de trabalho… (ex: stencil, pichos, tags, bombs, colagens, etc)
Gosto muito de pixo… Posso falar disso porque vivo um pouco esse universo, pra mim é uma modalidade dos graffiti, assim com as outras que tu citaste… É assim que também exercito minha cota de rua por ai.

Aonde e qual foi a oportunidade de trabalho em que mais lhe trouxe satisfação, em que viu que seu trabalho estava realmente sendo reconhecido?
Olha… Tudo é um caminho, tudo são caminhos… Desde o primeiro trampo ao ultimo que fiz e o próximo que inda vou fazer, considero isso, satisfação.

Picho Cena7

Melhor viagem? Pode contar-nos um pouco, como foi?
A vida! Sem duvida, a vida! Posso dizer que ta sendo ótimo, como ainda num acabou… To viajando… rsrs.

Trilha sonora inspiradora?
Varias! Posso citar umas… Racionais MC´s – Parteum – Kamau – Solo Damant – Gonzaguinha – John Coltrane – Teatro Mágico– Miles Davis – Gil Scott Heron – Pharoah Sanders – Elis Regina – Fundo de Quintal – … Dentre outros varias.
O que tem me inspirado muito, é a leitura… Atualmente lendo Milton Santos –
“ Os fundadores: As Pretensões Cientificas “
Pra que se interessa pela historia do mundo em que vive é ótimo, e pra quem não se interessa, é ótimo também… rsrs.
Aqui fica um documentário muito bom, baseado nos estudos do mesmo.
youtube.com/watch?v=58Exmp1_IWM
E sempre que dou uma passada no blog dele é cabuloso.
Sergio Vaz – http://www.colecionadordepedras.blogspot.com/

Filme inspirador?
Spike Lee. (Só pesquisando mesmo).

Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos roles.
A maioria das pessoas eu não sei o nome, mas são os que estão por ai…
Os que encontro pelos caminhos da vida conduzido pela pintura, pela poesia ou pela Arte que me valida no mundo, que é a Arte dos encontros não marcados; a Arte do entregar pra receber, é ai que tem morado a sensibilidade pra mim, nas relações; e no modo como eu me dou por elas, pra que não me torne o que não desejo, porque eu também sou o outro com quem me encontro; e quando é assim o respeito mutuo prevalece.

Você acha que hoje em dia existe união de grafiteiros entre si? E pixadores e grafiteiros por exemplo? Acha que há limitações de alguns pontos de vista ou aspéctos?
Sinceramente, não sei… Não importa a “profissão” ou a “ocupação” que cada um se devota, no final é tudo pessoas e interesses; me diz, qual o teu interesse nessa entrevista?

Desde que você começou, até agora, o que mais mudou e o que continua na arte de rua, em sua opinião?
Talvez a comunicação. (internet e por ai vai…).

É possivel viver da sua arte, ou você tem que batalhar por fora também?
Orra, eu vivo… Arte pra mim é ter poesia no coração e nas ações, mas sempre to batalhando por fora e também por dentro; a vida é batalha.
Procuro fazer meu melhor (seja lá o que for isso?!)… Requer persistência e convicção na ação e que vai rolar, com fé na caminhada as coisas acontecem!

Quais os prós e os contras de viver de arte?
No momento só vivo, fazendo o que julgo necessário. W. (ivav os ivav).

O que você acha que um bom artista de rua precisa ter, para ser bem sucedido em seu meio?
Cada um procura uma coisa; ser bem sucedido é relativo demais! Uns buscam dinheiro, outros paz interior, outros os dois, (se é que possível…) Outros sinceramente num sei… Besteira minha ficar falando isso ate… Num rola de falar o que é melhor pro outro, cada um sabe o que vive; a cara é agente começar a mudar nois, pra influenciar o meio em que vivemos se juntando pra fazer coisas positivas.

Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
Curto a que passou, a atual e que esta por vir.

cena7 - São Bernardo Graffiti Bomb

Na sua opinião, o que é Graffiti?
Escrever-pintar na rua, conquistar paredes… E quem conquista num pede licença.

Qual o pior erro para um grafiteiro?
Sei naum… rs Cada qual sabe de seu erro, eu sei dos meus, e são vários, assim como são os acertos.
Em algum aspécto de sua vida, você arrepende ou já se arrependeu por ser grafiteiro? Porque?
Não. Num vivi coisa alguma que não fosse da própria vida, to firmão.

O quê a arte de rua te deu?
O que mereci.

O que a arte de rua te tirou?
O que mereci.

O que você diria para os que estão começando agora?
Comecem; seja o que for que seja positivo.

Deixe um recado pra quem estiver lendo sua entrevista, se identificando ou não com a sua arte…
Faça por amor e desconfie de desejos embutidos colocados por outdoors, comercias e derivados a isso, a mídia em sua grande maioria é golpista.
Salve salve maloquerage!!!

Valeu Cena 7… muito obrigado por nos ceder tuas palavras irmão!!!

TAMO JUNTO!

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Entrevista com o graffiteiro Emol Povo!

Postado sábado, 25 de julho de 2009, 09:00.

São Bernardo - SP foto cena7

O que você assina?
Emol

Qual sua idade?
30 anos

Qual sua cidade/estado?
Diadema – SP

Por que você resolveu colocar esse nome?
Por que é sigla do meu nome civil, a sonoridade me agrada e são letras que curtia escrever.

Assina em crew? Qual e o que significa?
Desde 2002 ou 2003 assino POVO junto ao meu nome nas ruas, mais com a intenção de um projeto que envolve várias idéias do que propriamente com objetivo de ser uma crew de escritores de graffiti.
Há algum tempo o Cena7 assina o mesmo por convivência que tivemos em alguns projetos e por compartilhar e crer na idéia, mas neste caso entendo o nome mais como uma grife (como funciona na pixação).
POVO somos nós. Ao mesmo tempo em que o nome significa o conjunto de pessoas também é a sigla para Pessoas Organizadas Vencem Opressão.
Dá pra entender um pouco melhor a idéia que envolve este nome em nosso recém criado blog, através do link.

Desde que ano você assina na rua?
2000

Que motivo o fez buscar o graffiti?
Aconteceu naturalmente. Desde moleque desenhava e sempre curti estar na rua, conhecer locais diferentes e viajar, combinação perfeita (risos). Em varias cidades e estados que eu ia, havia pixação com distintas caligrafias e isso despertou a vontade de escrever nos locais por onde eu passava também. Logo em seguida comecei a notar em SP uns Throw Ups e estes me agradaram mais porque davam maior destaque, além de ter também um estilo de caligrafia.

Que picos você mais gosta de pegar e o que mais gosta de fazer na rua?
Ultimamente tenho me ligado muito a arte em geral, estudado novas possibilidades na cidade, o que me faz ter idéias que vão além da pintura e do graffiti. Curto fazer intervenções que me levam a buscar espaços que ofereçam diferentes texturas e arquiteturas, ambientes que ainda não explorei, utilizando estes como parte do trampo, não só como suporte. Tenho realizado algumas intervenções em especial em locais tidos como “abandonados” ou em “desuso”, faz parte de uns estudos meus.
Ao mesmo tempo continuo curtindo escrever nas ruas, mas atualmente com pouca freqüência, e para isso busco locais de maior visibilidade.

Como foi o processo de evolução para seu estilo ao longo dos anos e quais são suas inspirações em seus trabalhos, que em sua opinião criam a identidade do seu graffiti?
Comecei influenciado pela pixação e Hip Hop, assim fiz algumas coisas tradicionais como letras e personagens. Experimentando diferentes técnicas de pintura, passei a deixar o natural e espontâneo valer mais do que as referências que haviam por perto. Continuo inquieto, estudando e experimentando novas possibilidades, veremos a que isso levará.
Meus trampos mais antigos são inspiração pros atuais, reestudo muito coisas que já fiz. Ao terminar um já fico avaliando o que devo melhorar e/ou explorar mais.

Aonde e qual foi a oportunidade de trabalho em que mais lhe trouxe satisfação, em que viu que seu trabalho estava realmente sendo reconhecido?
Minha satisfação maior é o produzir e pensar o que faço. Isso me traz auto-conhecimento e me permite aprender um pouco mais sobre os outros.
É mó satisfação também conhecer pessoas na rua enquanto faço arte, independente de gostarem ou não do que faço, o fato de conversar/confraternizar com estas me agrada porque em tempos atuais as pessoas mal se olham.

emol Melbourne - Australia - 2008

Melhor viagem? Como foi?
Toda viagem é a melhor, desde pintar trem no interior de SP a expor em galeria gringa.

Trilha sonora inspiradora?
Escuto muita musica e são várias que inspiram a vida. To sempre pesquisando.
Vida e obra se confundem, então posso citar várias trilhas; Fundo de Quintal, Elefante Groove, Kamau, Gog, Racionais, Parteum, Vanessa da Mata, Jovelina, Chico Cesar, O Teatro Mágico e vários outras.

Atualmente tenho escutado os discos de:
Comadre Fulozinha (Pernambuco);
Junio Barreto (Pernambuco);
Keita Mayanda (Angola);
Nel Sentimentum (Curitiba);
Emicida (São Paulo);

Filme inspirador?

Vários também hem;
Os que estão mais presentes na memória são;
Zeitgeist (de Peter Joseph)
Estamira (de Marcos Prado)
Vida Maria (de Marcio Ramos)
The Edukators (de Hans Weingartner)
Inside Outside (de Andreas Johnsen e Nis Boye Moller Rasmussen)
Encontro com Milton Santos (de Silvio Tendler) esse dá pra ver pelo Youtube (parte 1 de 10)

Latas e caps preferidos?
Têm umas marcas boas, mas eles não me patrocinam para eu citar o nome (risos).

Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos roles.
Curto os trampos do JR, Zevs, Banksy, Os Gemeos, Ise, Finok, Cena7, Fone, Os Cururus, Rivais, Rafael, entre outros.

Você acha que hoje em dia existe união de grafiteiros entre si? E pixadores e grafiteiros por exemplo? Acha que há limitações de alguns pontos de vista ou aspectos?
Há diferentes níveis de união, seja pra fazer um role, uma festa, um projeto. Mas num sentido maior de união (que não seja só pra realizar alguma atividade) é mais dificil.
Somos produto do meio que vivemos e o que acontece no universo do graffiti e pixo é um reflexo do que acontece na sociedade contemporânea. O capitalismo condiciona o ser humano a ser individualista e competitivo, assim o sucesso está ligado ao ser melhor que os outros de alguma maneira. Cada um ostenta o que tem; quem tem dinheiro ostenta bens materiais, quem está no padrão de beleza ostenta sua aparência, pixadores e grafiteiros ostentam o fazer mais ou melhor, intelectuais ostentam suas idéias e livros que leram, mas no fundo todos são apenas seguidores de um fluxo. Há raras exceções. Onde houver instinto coletivo, respeito e pureza na auto-estima haverá união por natural. É este o novo ser humano a se desenvolver e por conseqüência a união plena virá.

Emol-Pintura-em-Lona---expo

É possivel viver da sua arte, ou você tem que batalhar por fora também?
Eu to sempre envolvido com arte, cultura e as vezes educação; produzindo e expondo meus trampos, realizando oficinas, organizando eventos e projetos. Curto estar nestes meios e é através deles que me mantenho.

Como é viver da arte? O que você sente em relação a isso?

Independente de viver ou não da arte, a idéia é viver bem. Gosto do que tenho, sonho e busco o que desejo, mas tudo no seu tempo e com postura. Sigo caminhando e sorrindo (risos).

O que você acha que um bom artista de rua precisa ter, para ser bem sucedido em seu meio?
A definição de “ser bem sucedido” é diferente pra cada um e assim cada artista tem seus prós e contras.

Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
Todas épocas são boas, cada uma com suas particularidades. Gosto dos roles passados, dos atuais e pretendo me manter gostando dos que virão.

Descreva o que vem na sua cabeça, ao ouvir a palavra “bomb”, qual sua idéia?
Recentemente um amigo meu que é MC perguntou isso porque tava escrevendo umas letras e respondi que, no universo do graffiti, bomb vem de bombardear, ou seja, qualquer pintura sem autorização, independente se é Throw Up, Pixo ou personagem.

Pode me dizer, em sua opinião, sobre o graffiti e o Hip Hop dos tempos de hoje?
Eu vivo muito o Hip Hop e tenho muitos amigos neste meio. Não acompanho a cena pop, mas to sempre ligado na rua e espaços onde se desenvolve o Original e o que acompanho/participo me deixa muito satisfeito. Saber que cada um está correndo pra se desenvolver e mais que fama e bens matérias essa cultura ta trazendo desenvolvimento pra nós como seres humanos.
Curto muito o graffiti atualmente, creio que pelo mesmo motivo de não acompanhar a cena pop e sim o que ta na rua, seja andando por ela ou buscando noticias e informações na internet. A difusão da Arte de Rua em geral está fazendo as pessoas pensarem o que faz, estudar, discutir e expandir as idéias do porque, onde e como fazer.

Qual o pior erro para um grafiteiro?
Em minha vivência e auto-crítica sei o que é errado pra eu, mas sobre o erro dos outros é difícil comentar.

O quê a arte de rua te deu?
Nada além do que eu não buscasse ou estivesse propício.

O que a arte de rua te tirou?
Nada além do que a vida naturalmente tira.

O que você diria para os que estão começando agora?
Faça, em seguida faça diferente e para isso é importante pesquisar o que foi feito e principalmente o que não fizeram ainda. Fazer algo que seja útil para o coletivo também seria ótimo.

Deixe um recado pra quem estiver lendo sua entrevista, se identificando ou não com a sua arte…
POVO – Pessoas Organizadas Vencem Opressão

Muito da hora, a SubsoloArt só tem a agradecer ao graffiteiro Emol pelas belas palavras concedidas!

Sucesso e Paz!

Quem quizer conferir mais alguns trampos do Emol, acessa os links:
Emol Flickr
Emol Blog

………………

GALERIA SUBSOLOART NO AR!
ENVIE SEUS TRAMPOS PARA CONTATO@SUBSOLOART.COM

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Graffiti de “Sa”

Postado terça-feira, 7 de julho de 2009, 19:50.

O artista Samir Maud, que assina Sa mosta sua vizão sobre sua arte, e sobre a idéia que se diz respeito à arte de rua!

Vale apena ver, belas palavras!

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Skate em Canoas – RS

Postado segunda-feira, 29 de junho de 2009, 19:15.

Este vídeo mostra alguns roles do skatista Paulo “Galera”, em roles por Canoas e regiao metropolitana…

O cara manda bem no carrinho!

Dá pra ver vários riscos da rapazeada também!

Grande salve pra geral!

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