
O que você assina?
Emol
Qual sua idade?
30 anos
Qual sua cidade/estado?
Diadema – SP
Por que você resolveu colocar esse nome?
Por que é sigla do meu nome civil, a sonoridade me agrada e são letras que curtia escrever.
Assina em crew? Qual e o que significa?
Desde 2002 ou 2003 assino POVO junto ao meu nome nas ruas, mais com a intenção de um projeto que envolve várias idéias do que propriamente com objetivo de ser uma crew de escritores de graffiti.
Há algum tempo o Cena7 assina o mesmo por convivência que tivemos em alguns projetos e por compartilhar e crer na idéia, mas neste caso entendo o nome mais como uma grife (como funciona na pixação).
POVO somos nós. Ao mesmo tempo em que o nome significa o conjunto de pessoas também é a sigla para Pessoas Organizadas Vencem Opressão.
Dá pra entender um pouco melhor a idéia que envolve este nome em nosso recém criado blog, através do link.
Desde que ano você assina na rua?
2000
Que motivo o fez buscar o graffiti?
Aconteceu naturalmente. Desde moleque desenhava e sempre curti estar na rua, conhecer locais diferentes e viajar, combinação perfeita (risos). Em varias cidades e estados que eu ia, havia pixação com distintas caligrafias e isso despertou a vontade de escrever nos locais por onde eu passava também. Logo em seguida comecei a notar em SP uns Throw Ups e estes me agradaram mais porque davam maior destaque, além de ter também um estilo de caligrafia.
Que picos você mais gosta de pegar e o que mais gosta de fazer na rua?
Ultimamente tenho me ligado muito a arte em geral, estudado novas possibilidades na cidade, o que me faz ter idéias que vão além da pintura e do graffiti. Curto fazer intervenções que me levam a buscar espaços que ofereçam diferentes texturas e arquiteturas, ambientes que ainda não explorei, utilizando estes como parte do trampo, não só como suporte. Tenho realizado algumas intervenções em especial em locais tidos como “abandonados” ou em “desuso”, faz parte de uns estudos meus.
Ao mesmo tempo continuo curtindo escrever nas ruas, mas atualmente com pouca freqüência, e para isso busco locais de maior visibilidade.
Como foi o processo de evolução para seu estilo ao longo dos anos e quais são suas inspirações em seus trabalhos, que em sua opinião criam a identidade do seu graffiti?
Comecei influenciado pela pixação e Hip Hop, assim fiz algumas coisas tradicionais como letras e personagens. Experimentando diferentes técnicas de pintura, passei a deixar o natural e espontâneo valer mais do que as referências que haviam por perto. Continuo inquieto, estudando e experimentando novas possibilidades, veremos a que isso levará.
Meus trampos mais antigos são inspiração pros atuais, reestudo muito coisas que já fiz. Ao terminar um já fico avaliando o que devo melhorar e/ou explorar mais.
Aonde e qual foi a oportunidade de trabalho em que mais lhe trouxe satisfação, em que viu que seu trabalho estava realmente sendo reconhecido?
Minha satisfação maior é o produzir e pensar o que faço. Isso me traz auto-conhecimento e me permite aprender um pouco mais sobre os outros.
É mó satisfação também conhecer pessoas na rua enquanto faço arte, independente de gostarem ou não do que faço, o fato de conversar/confraternizar com estas me agrada porque em tempos atuais as pessoas mal se olham.

Melhor viagem? Como foi?
Toda viagem é a melhor, desde pintar trem no interior de SP a expor em galeria gringa.
Trilha sonora inspiradora?
Escuto muita musica e são várias que inspiram a vida. To sempre pesquisando.
Vida e obra se confundem, então posso citar várias trilhas; Fundo de Quintal, Elefante Groove, Kamau, Gog, Racionais, Parteum, Vanessa da Mata, Jovelina, Chico Cesar, O Teatro Mágico e vários outras.
Filme inspirador?
Vários também hem;
Os que estão mais presentes na memória são;
Zeitgeist (de Peter Joseph)
Estamira (de Marcos Prado)
Vida Maria (de Marcio Ramos)
The Edukators (de Hans Weingartner)
Inside Outside (de Andreas Johnsen e Nis Boye Moller Rasmussen)
Encontro com Milton Santos (de Silvio Tendler) esse dá pra ver pelo
Youtube (parte 1 de 10)
Latas e caps preferidos?
Têm umas marcas boas, mas eles não me patrocinam para eu citar o nome (risos).
Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos roles.
Curto os trampos do JR, Zevs, Banksy, Os Gemeos, Ise, Finok, Cena7, Fone, Os Cururus, Rivais, Rafael, entre outros.
Você acha que hoje em dia existe união de grafiteiros entre si? E pixadores e grafiteiros por exemplo? Acha que há limitações de alguns pontos de vista ou aspectos?
Há diferentes níveis de união, seja pra fazer um role, uma festa, um projeto. Mas num sentido maior de união (que não seja só pra realizar alguma atividade) é mais dificil.
Somos produto do meio que vivemos e o que acontece no universo do graffiti e pixo é um reflexo do que acontece na sociedade contemporânea. O capitalismo condiciona o ser humano a ser individualista e competitivo, assim o sucesso está ligado ao ser melhor que os outros de alguma maneira. Cada um ostenta o que tem; quem tem dinheiro ostenta bens materiais, quem está no padrão de beleza ostenta sua aparência, pixadores e grafiteiros ostentam o fazer mais ou melhor, intelectuais ostentam suas idéias e livros que leram, mas no fundo todos são apenas seguidores de um fluxo. Há raras exceções. Onde houver instinto coletivo, respeito e pureza na auto-estima haverá união por natural. É este o novo ser humano a se desenvolver e por conseqüência a união plena virá.

É possivel viver da sua arte, ou você tem que batalhar por fora também?
Eu to sempre envolvido com arte, cultura e as vezes educação; produzindo e expondo meus trampos, realizando oficinas, organizando eventos e projetos. Curto estar nestes meios e é através deles que me mantenho.
Como é viver da arte? O que você sente em relação a isso?
Independente de viver ou não da arte, a idéia é viver bem. Gosto do que tenho, sonho e busco o que desejo, mas tudo no seu tempo e com postura. Sigo caminhando e sorrindo (risos).
O que você acha que um bom artista de rua precisa ter, para ser bem sucedido em seu meio?
A definição de “ser bem sucedido” é diferente pra cada um e assim cada artista tem seus prós e contras.
Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
Todas épocas são boas, cada uma com suas particularidades. Gosto dos roles passados, dos atuais e pretendo me manter gostando dos que virão.
Descreva o que vem na sua cabeça, ao ouvir a palavra “bomb”, qual sua idéia?
Recentemente um amigo meu que é MC perguntou isso porque tava escrevendo umas letras e respondi que, no universo do graffiti, bomb vem de bombardear, ou seja, qualquer pintura sem autorização, independente se é Throw Up, Pixo ou personagem.
Pode me dizer, em sua opinião, sobre o graffiti e o Hip Hop dos tempos de hoje?
Eu vivo muito o Hip Hop e tenho muitos amigos neste meio. Não acompanho a cena pop, mas to sempre ligado na rua e espaços onde se desenvolve o Original e o que acompanho/participo me deixa muito satisfeito. Saber que cada um está correndo pra se desenvolver e mais que fama e bens matérias essa cultura ta trazendo desenvolvimento pra nós como seres humanos.
Curto muito o graffiti atualmente, creio que pelo mesmo motivo de não acompanhar a cena pop e sim o que ta na rua, seja andando por ela ou buscando noticias e informações na internet. A difusão da Arte de Rua em geral está fazendo as pessoas pensarem o que faz, estudar, discutir e expandir as idéias do porque, onde e como fazer.
Qual o pior erro para um grafiteiro?
Em minha vivência e auto-crítica sei o que é errado pra eu, mas sobre o erro dos outros é difícil comentar.
O quê a arte de rua te deu?
Nada além do que eu não buscasse ou estivesse propício.
O que a arte de rua te tirou?
Nada além do que a vida naturalmente tira.
O que você diria para os que estão começando agora?
Faça, em seguida faça diferente e para isso é importante pesquisar o que foi feito e principalmente o que não fizeram ainda. Fazer algo que seja útil para o coletivo também seria ótimo.
Deixe um recado pra quem estiver lendo sua entrevista, se identificando ou não com a sua arte…
POVO – Pessoas Organizadas Vencem Opressão
Muito da hora, a SubsoloArt só tem a agradecer ao graffiteiro Emol pelas belas palavras concedidas!
Sucesso e Paz!
Quem quizer conferir mais alguns trampos do Emol, acessa os links:
Emol Flickr
Emol Blog
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