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Arquivo da Categoria ‘Entrevistas’

Spray Uma cultura Viva em Santa Maria

Postado quinta-feira, 16 de junho de 2011, 15:28.

Mini-documentário sobre o graffiti em Santa Maria, RS, deve ter sido gravado por volta de 2009.

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Ozi, Grafiteiro Old School – Sampa Graffiti

Postado segunda-feira, 23 de maio de 2011, 22:25.

Rolê e entrevista com um dos grafiteiros da primeira escola do graffiti brasileiro. Ozéas Duarte, mais conhecido como Ozi, começou pintando em São Paulo com outros ícones com Alex Vallauri, hoje ainda pinta assíduamente.

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Entrevista com o grafiteiro DMS

Postado quarta-feira, 4 de maio de 2011, 13:00.

Grafiteiro DMS em Catanzaro, Itália

Qual sua idade, cidade/estado e o que você assina?
Este ano completo 29 anos. Sou de Belo Horizonte, Minas gerais, e assino DMS.

Por que você resolveu colocar esse nome?
São as iniciais do meu sobrenome e ao inves de criar um nome fiz uso do meu, como na época era usual siglas, justamente para não deixar claro quem era você.

Assina em crew? Se sim, qual e o que significa?
Já tive muitas crews, hoje prefiro nao levantar este tipo de bandeira. No principio assinava pelo “Os Formigas”. Depois teve a “BH Vandals Crew” (BVC), a ultima crew que assinei foi a “ETER”, mas durante anos pintei com os amigos Dalata , Hyper e MTS e não assinavamos crew, não tinha necessidade entende?

Desde que ano você viu que se envolveu com a arte de rua? Conte-nos um pouco sobre como foi o início, o que o fez buscar o graffiti?
Em 1998 eu ja andava de skate, e estava sempre nas ruas. Tinha muitos amigos envolvidos com pixaçao na escola municipal aonde estudei, como eu sempre desenhei, juntei o util ao agradável.
Nem sempre foi fácil, não tinha spray, não sabia manusear bem a lata, não tinha muita informação como hoje.
A polícia nao tinha conhecimento do graffite ,associavam sempre o spray a pixação (não que tenha mudado muito nos dias de hoje). Fui preso muitas vezes, assinei processos, mas cada vez que me deparava no muro da ignorancia, ao inves de perder forças ganhava vontade de fazer mudar a cena na minha cidade.

Como foi o processo de evolução para seu estilo, quais são suas inspirações em seus trabalhos?
O processo é continuo, ainda estou aprendendo e amadurecendo a cada dia ,e o meu trabalho reflete aquilo que sou. Mas hoje temas espirituais me inspiram bastante.
Antes era tudo muito experimental, depois que vim para a Italia me confrontei muito com a ideia de religiao x espiritualidade, que são coisas que caminham juntas, mas tem distintos valores.
Comecei a aprofundar e estudar ainda mais sobre, enquanto isso meu trabalho foi refletindo meus pensamentos, tinha que ser coerente diante meus pensamentos. Mas o mundo fantastico, aquele velho mundo de fabulas sempre me inspirou muito, e aos poucos crio meu universo.
Não consigo estar parado, estar em constante movimento, para mim sempre foi importante, as vezes uma coisa puxa a outra e quando você ve, outra mudança acontece.

Aonde e qual foi a oportunidade de trabalho em que mais lhe trouxe satisfação, em que viu que seu trabalho estava realmente sendo reconhecido?
Não saberia dizer ao certo,mas acho que esta ultima exposição que fiz (Toda vida é sagrada) aqui na Italia foi bem legal.
Foi a convite da prefeitura em uma das principais galerias da cidade. Eu, um estrangeiro em epocas dificeis (a Italia é um pais dividido,existe ainda muita xenofobia aqui), conseguir esta vitrine foi muito gratificante.
Mas fiz trabalhos comerciais variados no percurso dos anos, trabalhos muito satisfatorios, mas igual estar na rua com os amigos, produzindo aquele painelzão pra cidade não tem preço que pague.

Estou enganado ou você antigamente era mc? Conte-nos um pouco sobre seus projetos passados e presentes, e como foi o percurso para chegar aonde está..
É verdade, tive alguns grupos, sempre em BH, alguns duraram outros apenas começaram e ja acabaram.
Teve “Us Piratas”, “Ponta Pronta” e “Casa B”, dentre outros subprojetos que nasciam de dentro dos grupos.
Sempre tentando fazer uma mistura de instrumentais organicos e samplers. Tocar com banda (bateria, guitarra, baixo, sopro e metais) sempre foi otimo, mas como tinhamos sempre muitos Mc’s envolvidos, deu bagunça.
As duas ultimas tinham um conteudo muito poetico e pouco social.
Ensaiei uma carreira solo, mas estacionei no primeiro intervalo, comecei a dedicar as artes visuais de tal forma que fui deixando de lado a musica. Na verdade, creio que depois que mudei pra Italia, as coisas esfriaram para mim.
Sem tempo, meu filho nasceu, precisei trabalhar de forma mais madura minhas pinturas, estava longe dos estudios de musica, ninguem aqui entendia o que eu falava.
Acho importante transmitir uma mensagem no R.A.P.
Ainda nao aprendi a cantar em Italiano, rsrs.
Mas estou para voltar heim? rsrs. Quem quiser conferir alguma coisa ta la no www.myspace.com/dmsdavox

Graffiti de Dalata, DMS e Hyper

Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos rolês.
Admiro e respeito muitos escritores, me identifico com muita gente por ai. Mas com Dalata, Mts e Hyper fizemos muitos trabalhos juntos que criou uma sintonia na epoca muito boa.
Impossível não citar Os Gemeos como referencia de dedicaçao a arte, ou o Binho 3M, entre tanta gente boa que tem por ai, tanto da velha,quanto da nova escola.
Por falar em nova escola, tão arrebentando tudo mundo afora. Muita qualidade pelo mundo todo. Basta dar uma voltinha na internet para se surpreender um pouco e trabalhar a humildade.

Você vive de sua arte, certo? Se sim, afinal, em sua visão como é poder viver da arte?
Vivo de arte, não é facil, mas é possivel, precisa ser versatil, fazer de tudo um pouco. Hoje a arte grafica, computador e essas coisas são imprecindivel.
Ter muita paciencia e profissionalismo é importante. As vezes se ganha bem, as vezes ganha pouco. Não é facil quando se decide ser autonomo.
Mas a satisfaçao de fazer algo que você goste e ama não tem preço. Digo isso se você é autonomo, lógico. Se trabalha com um grupo ou uma agencia, as coisas mudam um pouco.

DMS fazendo painel de graffiti

O que você acha que um bom artista de rua precisa ter, para ser bem sucedido em seu meio?
Eu acho(não tenho certezas, pois ainda não me vejo neste circulo) que antes de tudo, precisa ter originalidade.
Depois vem uma serie de fatores que ajudam um artista, como humildade, perseverança, contatos, etc.

Desde que você começou, até agora, o que mais mudou e o que continua na arte de rua?
Vivemos em tempos que as coisas acontecem de uma forma muito rapida, a arte de rua saiu daquela posição periferica e chegou a ganhar respeito como forma artistica, ganhou valores e perdeu outros. Hoje a variedade e qualidade artistica é uma coisa assustadora.
Temos estilos variados de uma forma nunca vista antes. Mas as raizes persistem, cultura de trem, throw-up, revitalização de espaço abandonado, etc.

Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
De 2004 a 2009 produzimos grandes paineis na cidade de Belo Horizonte, e a união e sintonia da turma criaram momentos inesqueciveis. Pintar era so uma desculpa pra ficar na rua, fazendo bagunça juntos. Quase na grande maioria ilegais, e era sempre de madrugada (o anjo da guarda trabalhou bem naquela época), a gente se encontrava la pelas 23:00 e ficavamos no muro ate 10 da manha do dia seguinte. Teve muros que ficamos 24,ate 32 horas sem parar.
Teve momentos que quando chegava o proprietário a gente ainda estava lá, pintando, mas a aceitação era boa porque a nossa intenção era boa.
A relação com a população também foi de grande aprendizado nesta epoca. Burlavamos ate a polícia e cameras de segurança, com faixas zebradas, aquela que fazem uso guardas de transito,
coletes da prefeitura, cones de transito, e a cara de pau também era de grande ajuda, porque fazia parecer ser autorizado.

O que, em sua opinião vem a ser o graffiti? … Ele é legal, ilegal, bonito, feio, da rua, da galeria… o que você acha de todos estes “suportes” e “características” que são derivados do mesmo?
Olha, eu penso que graffite seja rua, isso pra mim não existe duvidas.Se manifesta de formas diferentes ,seja um painel ou um throw-up, mas sem vinculo trabalhista.
Galeria, tela, trabalho comercial, você esta fazendo uso de uma tecnica, tecnica do graffite. É diferente, tem que saber diferenciar as coisas,
mas sistematizar demais tambem não é necessario, basta que seja arte, rs. Independente de qual seja o suporte.

Quanto a pichação, qual a sua opinião em relação a esta arte de rua?
Ow, meu ponto de vista sobre este assunto é positivo. Vejo como necessária essa manifestação. Acho que são evidenciadores na sociedade, evidenciam buracos no sistema, a insatisfaçao de um povo, corrupçao, etc. Sem contar que nasceu uma cultura disso ai.
Cheguei a fazer palestras aqui na Italia, e dei o nome de linfonodo inflamado, que seria a íngua, de um grande corpo, que é a cidade.
Evidenciando somente problemas mais profundos da sociedade.
Enquanto os governantes forem corruptos e o bem de todos for segunda opção, dentre outros fatores, continuara as pixações nas grandes cidades.

Qual o pior erro para um grafiteiro?
O plágio.

O que você diria para os que estão começando agora? Deixe um recado para quem está lendo esta entrevista.
Uai, não desista, insista, mas faça por amor, não por fama ou dinheiro, faça por que teu instinto diz que deve ser feito.

Mais sobre os trabalhos do grafiteiro DMS em: http://www.flickr.com/photos/demelosantos/sets

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Entrevista com o grafiteiro Megaz

Postado quarta-feira, 20 de abril de 2011, 22:20.

Qual sua idade, cidade/estado…?
Tenho 25 anos, sou de São Paulo Capital e não troco essa cidade por nenhuma outra rsrs.

O que você assina e por que você resolveu colocar esse nome?
Assino MEGAZ, esse nome nasceu quando o MEGAZ era um grupo, daí foram parando um a um e eu continuei.

Assina em crew? O que significa?
Faço parte da NGF (Não Gosto de Fofoca) assino ela com o Sapão e com o SIR81, e atualmente tenho forçado as vistas alheias com o BANGJUMP essa to curtindo mais que tudo, essa surgiu de uma zueira em buteco saindo de uma gíria aqui de SP que costumam dizer que é BANG, daí BANG pra lá, BANG pra cá fizemos a crew BANG JUMP;

Desde que ano você viu que se envolveu com a arte de rua? Conte-nos um pouco sobre como foi o início, o que o fez buscar o graffiti?
Comecei em 1999 quando estava no colégio, coisa de bairro, porem vi que gostava de verdade, lutei pela evolução, já passei por várias fases no graffiti e tenho aprendido bastante.
Comecei por impulso, passei por alguns problemas com policiais do bairro que queriam de algum jeito me fazer parar, mais a vontade foi mais forte que os “ZÉ POVINHO”

Como foi o processo de evolução para seu estilo, quais são suas inspirações em seus trabalhos?
Como toda base na nossa evolução é o estudo comigo não foi diferente, sempre busquei informações de todo o tipo, como posicionamento, sombras e principalmente a trabalhar com cores para se obter um bom resultado, algumas boas inspirações em letras que tive foram NÓIS (na época de 2000), NOVE, DARE, ATOM entre outros.

Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos rolês.
Ultimamente tenho tido referencias não por nomes mais sim por gênero, tipo a pixação que é uma coisa que sempre admirei e tento trazer isso para o graffiti da minha forma é claro, vou espalhando por toda a cidade assim como fazem os pixadores que estão em todos os cantos.

Aonde e qual foi a oportunidade de trabalho em que mais lhe trouxe satisfação, em que viu que seu trabalho estava realmente sendo reconhecido?
Fiquei bem feliz quando comecei a ver meus graffitis em algumas revistas da época, porem hoje em dia é muito bom encontrar algumas pessoas de vários cantos de SP e eles comentam que sempre vêem minhas letras próximos de onde eles residem.

Você consegue viver da arte ou tem que trabalhar por fora? Se sim, como é poder viver da arte e como este tipo de trabalho é valorizado no brasil?
Cara realmente a arte pra mim é um HOBBIE uso pra me divertir e desestressar, geralmente o cara quer dar uma relaxada no fim de semana jogando uma bola, passeando em algum parque, fazendo uma viagem, mais pra mim é sempre divertido estar pintando aos domingos com os camaradas.

O que você acha que um bom artista urbano precisa ter, para ser bem sucedido em seu meio?
Cara na minha opinião pro cara ser um bom grafiteiro ele precisa gostar pois não é fácil o cara trabalhar, gastar com tinta entre outros gastos que se tem no role e ainda sim continuar.

Desde que você começou, até agora, o que mais mudou e o que continua na arte de rua?
O graffiti hoje em dia está muito mais fácil e acessível, quando comecei “apanhamos” muito para aprender a manusear as latas de spray nacionais que eram puro solvente, hoje em dia quem começa já saí comprando lata importada com mais pigmento, com CAPS próprios para cada ocasião e tem a internet que serve muito para todo o tipo de informação.

Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
A época que mais curti foi a época que comecei a evolução no meu trabalho foram resultados muitos satisfatórios.

Melhores viagens, rolês inesquecíveis?
Sempre tem alguma coisa que guardo de cada role, sempre é uma nova história.

O que, em sua opinião vem a ser o graffiti? … Ele é legal, ilegal, bonito, feio, da rua, da galeria… o que você de todos estes “suportes” e “características” que são derivados do mesmo?
Graffiti tem que ser de verdade, quem gosta, gosta, quem não gosta leva de moda e depois para, entre ser legal, ilegal enfim isso não importa acredito na minha opinião que o que vale mais é a vontade, porem essa vontade tem que vir não apenas de pintar, mais sim de estudar e estar em constante evolução.

Quanto a pichação, qual a sua opinião em relação a esta arte urbana?
Admiração e respeito.

Qual o pior erro para um grafiteiro?
Encarar como moda.

O que você diria para os que estão começando agora? Deixe um recado para quem está lendo esta entrevista.
Que busquem informações e aprendizado ao invés de ficar na internet e achar que ficar em rede de relaciomento discutindo que é mais ou menos que o outro não tem nada a ver, vai pra rua e descobre o que ela pode te proporcionar.
Quero agradecer a alguns amigos que sempre estão juntos não só no graffiti mais em outras necessidades, pois acredito que CREW é sinônimo de amizade. Abraço SIR81, CUSPE, CHIPS, SAPÃO, MIRAGE aos novos parceiros do role MAGROS, NILO e pra todos que admiram meus trabalhos.

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